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Recuo chinês não muda posição do Brasil sobre Irã

Recuo chinês não muda posição do Brasil sobre Irã

Lula se isola cada vez mais na defesa do diálogo sobre o programa nuclear de Teerã, enquanto cresce a pressão por sanções na ONU

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

O Brasil mantém sua aposta em uma saída negociada para a questão nuclear do Irã, mesmo com os recentes sinais emitidos pela China de que poderá apoiar a imposição de sanções contra Teerã pelo Conselho de Segurança da ONU.

A China era o único dos países do P5+1 - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha - que resistia à ideia de retaliações e apostava na solução negociada, mesma linha defendida pelo Brasil. A Rússia reconfirmou sua posição a favor de sanções nesta semana, após o fracasso de uma iniciativa conjunta com a China de trazer o Irã para a mesa de negociações.

Os movimentos de Pequim e de Moscou não foram suficientes para mudar a aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em 15 de maio, fará uma visita oficial a Teerã. Até lá, a questão deverá estar definida no Conselho de Segurança.

Na terça-feira, no Rio, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, expôs demoradamente ao diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, sua convicção de que ainda há espaço para levar o Irã a uma negociação ampla com a comunidade internacional.

O primeiro passo dessa empreitada seria um acordo de troca do estoque iraniano de urânio levemente enriquecido por combustível nuclear enriquecido a 20%, cuja mediação da AIEA seria fundamental, na opinião do chanceler.

Amorim disse a Amano que apenas a ameaça dos Estados Unidos e de países europeus, que defendem a imposição de novas sanções, pode ser suficiente para levar o Irã ao diálogo. Retaliações mais duras, segundo o chanceler, tenderiam a radicalizar as posições dos setores iranianos favoráveis à guinada militar de seu programa atômico. Segundo um observador do encontro, ambos concordaram que é preciso manter o Irã sob pressão, para obter uma negociação do acordo.

A nova indicação de Pequim, em princípio, facilitaria a missão dos EUA de angariar os nove votos necessários para a aprovação das sanções, com o aval de todos os membros permanentes do Conselho de Segurança. Embora já houvesse certeza de que a China não vetaria a decisão, essa abstenção fragilizaria o documento final. Mas um diplomata brasileiro pondera que, entre o engajamento de Pequim e seu aval às sanções, há um enorme caminho.

Esse caminho diz respeito ao texto da resolução que os EUA esperam submeter ao Conselho e aprovar até abril. Por esse cronograma, a Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), programada para o mês seguinte, não seria afetada.

As sanções mais duras poderiam afetar os setores financeiro e petrolífero do Irã. Mas o texto encontraria resistência da China, que importa petróleo iraniano. "Qualquer que seja a resolução, ela será mais o reflexo de uma decisão política do que uma medida com objetivo de mudar o comportamento do Irã", disse um diplomata que pediu anonimato.

PARA ENTENDER

EUA temem uso militar

O Irã negocia formas de enriquecer seu urânio. Teerã diz que precisa do material para fins energéticos e medicinais, mas os EUA desconfiam que o Irã esteja tentando obter uma bomba. A saída seria trocar o urânio iraniano de baixo enriquecimento por combustível vindo do exterior. O processo restringiria o uso do urânio para fins civis.

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