Recuperação de Fidel é lenta e envolve riscos, diz Chávez

Fidel Castro se recupera lentamente de uma cirurgia e ainda está sob riscos, disse na terça-feira seu amigo e aliado Hugo Chávez, presidente da Venezuela, negando, contudo, relatos de que o líder cubano estaria em estado muito grave. Mas Chávez, que conversa regularmente com Fidel e costuma dar notícias sobre sua saúde, parecia menos otimista que de costume a respeito da convalescença de seu mentor político, afastado do poder desde julho por causa de uma cirurgia intestinal. O jornal espanhol El País disse que Fidel tem diverticulite, decidiu evitar uma colostomia e optou por uma cirurgia mais arriscada, que levou a sérias complicações. Os médicos suturaram o cólon diretamente ao reto, mas os pontos não cicatrizaram e se romperam, liberando fluido gástrico com fezes, o que provocou a infecção, diz o El País na sua edição de quarta-feira, antecipada em seu site. Na véspera, o jornal dissera que Fidel, de 80 anos, estava em estado "muito grave" depois de três operações fracassadas. O jornal citou fontes de um hospital de Madri onde trabalha um cirurgião que esteve com Fidel em dezembro -- e que nega que o estado dele seja tão complicado. Se tivesse funcionado, a cirurgia permitiria que Fidel voltasse às suas atividades antes do que se tivesse feito a colostomia, que consiste em extirpar um trecho do intestino, com o uso de uma bolsa coletora que o líder cubano e seus assessores consideraram desconfortável demais. Chávez disse que os Estados Unidos estão alimentando rumores sobre a saúde de Fidel. "O império está disposto a matar Fidel Castro", disse o venezuelano. "Não sou médico, não estou ao pé da cama de Fidel, mas ele não está em estado grave como dizem alguns, nem tem câncer", afirmou Chávez a jornalistas no Equador. "Ele (me) disse que é um processo lento de recuperação, não isento de riscos. Ele tem 80 anos", afirmou o presidente, que diz ter conversado com Fidel há pouco mais de uma semana. Médicos dos EUA disseram na terça-feira que as informações do El País apontam para erro médico. "Acho o prognóstico muito grave a esta altura", disse o professor Roshini Rajapaksa, gastroenterologista do Centro Médico da Universidade de Nova York. As autoridades cubanas não comentam o estado de saúde de Fidel, que é tratado como segredo de Estado, por ordem dele mesmo. Em mensagem de ano-novo à população, Fidel disse estar se recuperando lentamente, mas garantiu que a convalescença estava "longe de ser uma batalha perdida".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.