REUTERS/Agustin Marcarian
REUTERS/Agustin Marcarian

Recuperação econômica da Argentina é fundamental para reeleição de Macri

Próximos meses serão decisivos para futuro político do presidente argentino, que tentará novo mandato em outubro; pesquisas apontam empate com Cristina Kirchner, apesar dos escândalos de corrupção que envolvem a ex-presidente 

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2018 | 05h00

“Macrisis”. Esse é o nome do principal rival do presidente argentino, Mauricio Macri, nas eleições presidenciais de outubro. Batizada assim por opositores e movimentos sociais, a crise econômica em que o país mergulhou neste ano poderá custar a Casa Rosada para o dirigente, que afirmou, em setembro, estar disputar a presidência.

A largada da corrida será em 11 de agosto, quando ocorrem as primárias, mas o futuro de Macri, que assumiu no fim de 2015 aclamado pelo mercado financeiro, dependerá do que ocorrer na economia nos próximos meses. “Um ano atrás (antes da crise econômica), conversávamos sobre os possíveis oito anos de mandato de Macri e sobre qual figura do Cambiemos (coalizão do presidente) o sucederia. Agora, o assunto é se Macri chega ao segundo turno”, afirma o analista Rosendo Fraga.

Para Marcelo Leiras, professor da Universidad de San Andrés, a crise econômica ameaça a própria candidatura de Macri. “Hoje, Macri deseja concorrer, mas não está claro se ele será candidato. O governo está numa situação complicada e será difícil ele se manter com esses resultados (econômicos).”

Afetada pelo aumento da taxa de juros nos EUA e sofrendo por erros de política econômica, a Argentina deverá terminar o ano com uma inflação de 47% e projeta um índice de 25% em 2019, segundo o BTG Pactual. Para o banco, a economia retrocederá 2,3%, em 2018, e entre 1% e 1,5%, em 2019. “O que menos se esperava era que Macri errasse na condução econômica. A recessão custou 30 pontos porcentuais de popularidade a ele e aumentou a incerteza eleitoral”, diz Fraga.

Em uma eventual desistência de Macri na disputa, a governadora da Província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, seria a candidata mais forte do Cambiemos – ela é a política mais bem avaliada no país hoje. Também poderiam concorrer o chefe de gabinete de Macri, Marcos Peña, e o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta. 

Se para Macri a economia pesa, do lado da ex-presidente Cristina Kirchner escândalos de corrupção elevam sua taxa de rejeição, hoje em 57,3% – a de Macri é de 54,5%, segundo pesquisa da Management & Fit. “A rejeição não é estática. Não digo que Cristina vá ganhar, mas pode acontecer, e a chance aumenta com a crise econômica. Ela vai dizer que, antes de Macri, se vivia melhor”, afirma Fraga. 

Acusada de receber propina durante seu governo, Cristina teve sua prisão preventiva confirmada no dia 20. Senadora, ela teria de ter sua imunidade parlamentar suspensa pelo Senado para ser presa. Cristina ainda não confirmou sua candidatura. Hoje, ela empata com Macri nas pesquisas – cada um com cerca de 25%, no primeiro turno, e 40%, no segundo. Se ela e Macri forem candidatos, será a primeira vez que eles se enfrentarão diretamente em uma eleição, o que deve elevar a polarização no país.

Terceira via

Dado o alto índice de rejeição dos dois, crescem as apostas na possibilidade de um terceiro nome ganhar força. Apesar de ter poucas chances no primeiro turno, o candidato alternativo teria potencial para chegar à Casa Rosada se alcançar o segundo turno, dizem os analistas.

O nome de Roberto Lavagna, ministro da Economia entre 2002 e 2005, reapareceu neste ano de crise. Lavagna é tido como responsável pela recuperação econômica após a recessão de 2001. “Ele é visto como alguém que poderia unir o peronismo, bastante fragmentado”, diz o analista Sergio Berensztein.

Quem também pode voltar é Sergio Massa, ex-deputado federal e candidato à presidência que ficou na terceira colocação em 2015. Massa se aliou a outros peronistas, como os governadores da Províncias de Salta, Juan Manuel Urtubey, e de Córdoba, Juan Schiaretti, para lançar a Alternativa Federal, proposta de oposição a Cristina e Macri. Massa afirmou que o candidato deles será definido nas primárias. 

Mas, diante da incerteza eleitoral, há ainda alguns outsiders que não podem ser descartados, como o apresentador de TV Marcelo Tinelli (espécie de Luciano Huck argentino) e Rodolfo D’Onofrio (presidente do River Plate), que cresceu após a vitória da Libertadores.

 

 

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