Recuperação econômica dos EUA dominará discurso anual de Obama

Apenas 22 dias após o início de seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Barack Obama, centrará nos desafios da economia e no fortalecimento da classe média no seu discurso anual no Congresso, hoje à noite.

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2013 | 02h05

A escolha dos temas é reflexo da demanda da opinião pública e do cálculo da Casa Branca de que, sem a entrega de sua promessa ao eleitorado de melhora na economia, Obama ficará de mãos atadas para as iniciativas doméstica, de defesa e de política externa até o final de seu governo.

Velhas promessas, como a de sancionar uma reforma ampla da política de imigração e novos desafios, como o de restringir as vendas de fuzis de assalto, estarão presentes. Mas, assim como os temas de política externa, não consumirão mais que alguns minutos de sua fala. Na semana passada, Obama antecipou que no discurso sobre o Estado da União se concentraria em "uma economia que funcione para todo mundo" e na necessidade de fortalecimento e expansão da classe média americana.

"Vou falar que estamos concentrados na criação de empregos nos EUA", resumiu. Seus assessores trataram de deixar vazar para a imprensa a espinha dorsal de seu principal discurso à nação.

Este quarto Estado da União de Obama não traçará novos objetivos para seu segundo mandato. Mas deixará clara a sua pressa em resolver velhos imbróglios com potencial de minar a recuperação americana e o cumprimento de suas promessas de campanha - não apenas as de 2012, como também as de 2008.

O pior desses velhos tormentos é o acordo sobre os cortes de gastos públicos para o ano fiscal de 2013 e para os oito anos seguintes. Sem acerto até o dia 28, o governo federal será obrigado a executar cortes de despesas muito mais pesados do que os desejados por democratas, republicanos e investidores de todas as cores políticas. A recuperação econômica e a criação de empregos serão diretamente comprometidas, assim como a atual estratégia do Pentágono, a sobrevivência de programas de saúde e de assistência social e os investimentos federais em educação, infraestrutura e energia limpa.

O discurso estaria amarrado às percepções e anseios dos cidadãos neste momento.

Segundo as pesquisas de opinião, a grande maioria dos americanos quer o ajuste nas contas públicas, mas tem na recuperação econômica sua mais alta prioridade. O corte de gastos, como vem dizendo Obama, não poderá prejudicar a economia.

O texto também leva em conta o fato de Obama manter razoável popularidade.

A média das mais recentes pesquisas de opinião pública calculada pelo Real Clear Politics deu-lhe a aprovação de 51,1% dos americanos.

Ele terá de aproveitar essa onda favorável para cumprir ao máximo suas promessas até o início de 2014, ano de eleição legislativa.

Com uma vitória democrata, terá fôlego ainda maior para concluir seu mandato com novos ganhos. Com a derrota, viverá o inferno em seus dois últimos anos como presidente dos EUA.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.