Recuperar crescimento é prioridade de Uribe

Recuperar o crescimento da economia colombiana em meio ao conflito armado e à atual turbulência internacional é um dos principais objetivos do governo do presidente Alvaro Uribe, que assume o cargo hoje. "Precisamos crescer a um ritmo de 6% durante os próximos seis anos", disse o ministro da Fazenda designado, Roberto Junguito. Segundo o futuro novo ministro, apenas um amplo e sustentado desenvolvimento será capaz de recuperar a qualidade de vida dos colombianos, que enfrentam uma recessão econômica contínua desde 1999. Há um consenso sobre a necessidade de se reativar a economia, mesmo que para isso sejam deixadas de lado políticas de austeridade que elevaram a taxa de desemprego a mais de 15% e o subemprego a cerca de 30% da população economicamente ativa, calculada em 20 milhões de pessoas. "Não é patrioticamente admissível jogar a carta do desemprego e da fome para manter a estabilidade da economia", afirmou em um artigo o ex-ministro da Fazenda, Abdón Espinosa Valderrama. O ministro da Fazenda em exercício, Juan Manuel Santos, afirmou que "retomar o crescimento com escassez de recursos é um desafio descomunal, porque o governo que sai deixa o caixa vazio". Reformas Junguito anunciou hoje que apresentará ao Congresso duas reformas tributárias - uma para criar bonos de segurança, destinados a financiar as forças armadas, e outra para aumentar a arrecadação de impostos. O ministro designado calculou que os bonos e os novos tributos devam produzir recursos equivalentes a US$ 2,4 bilhões nos próximos quatro anos, dos quais, US$ 1,6 bilhão serão destinados para financiar o combate à guerrilha. Para muitos analistas, mesmo que os novos recursos sejam levantados, seriam ainda insuficientes para atender simultaneamente ao gasto militar, à reativação da economia à criação de empregos. "O conflito armado requer recursos imensos", disse Junguito, ao destacar que o Estado poderá desviar dinheiro que seria destinado ao desenvolvimento econômico e social, para gastá-lo na melhora do aparato bélico. Para o diretor da Associação Nacional de Instituições Financeiras (ANIF), Fabio Villegas, antes de recuperar a segurança, a prioridade é uma economia sã que permita criar empregos. "Este país não é viável com 10 milhões de desempregados", escreveu ele em um artigo sobre os objetivos do novo governo. Setores de esquerda sugeriram a Uribe uma renegociação da dívida externa pública, que totaliza US$ 23 bilhões e cujos juros e amortizações arrancarão um pedaço expressivo de 35% do orçamento neste ano, mas Junguito descartou tal hipótese, se alinhando com a comunidade financeira internacional.

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