Felipe Corazza/Estadão
Felipe Corazza/Estadão

Recursos para assistência aos venezuelanos em Pararaima são poucos

Situação de penúria do Conselho Tutelar da cidade, por exemplo, dificulta apoio a menores venezuelanos nas ruas

Felipe Corazza, Enviado Especial / Pacaraima, Roraima, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2016 | 06h00

PACARAIMA, RORAIMA - Além de precisar lidar com o fluxo de venezuelanos pelas ruas da cidade, Pacaraima, em Roraima, enfrenta uma crise própria com servidores sem receber salários, paralisações e até ameaça de despejo de órgãos públicos que utilizam imóveis alugados.

O Conselho Tutelar da cidade, por exemplo, está paralisado e os titulares trabalham apenas em esquema de plantão para cumprir a cota constitucional de 30% do funcionamento dos serviços essenciais.

Os conselheiros relatam que estão há três meses sem salários. Entre as atribuições do órgão, está o encaminhamento à Polícia Federal de crianças e adolescentes venezuelanos que sofrem maus-tratos ou estejam em outras situações de risco na cidade.

Aos conselheiros brasileiros também caberia se comunicar com os organismos que cuidam da questão na Venezuela, mas o intercâmbio é impossível: o telefone do Conselho de Pacaraima está cortado por falta de pagamento.

Na quinta-feira, a luz do imóvel ocupado pela entidade também foi desligada. A proprietária da casa, alugada, enviou também ontem um aviso de despejo, exigindo o pagamento de todos os valores atrasados.

Uma das conselheiras, Jonmara Fischer, conta que a prefeitura de Pacaraima está pagando só agora os salários de julho para parte dos funcionários, como os das áreas de saúde e educação, mas os demais vencimentos ficarão para o próximo ano.

Quanto aos conselheiros, não se sabe quando receberão sequer os valores de julho.

O atual prefeito da cidade, Altemir Campos (PSDB), afirmou aos conselheiros e ao Estado que o problema seria uma interrupção nos repasses federais de verbas para o município. Pelas ruas, crianças venezuelanas pedem esmolas ou trabalham com mães e pais tentando revender produtos que compram no próprio comércio local. 

Diante do supermercado Goiana, em uma das ruas do centro, dois adolescentes dividiam um pequeno recipiente cheio de macarrão, doado por um comerciante do entorno. Ao lado, duas outras crianças pediam esmolas. O proprietário do mercado é Juliano Torquato, prefeito eleito pelo PRB no início do mês, que tomará posse em janeiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.