Recusa anterior causa ceticismo entre analistas

A descoberta da célula terrorista de Zwickau, em novembro, trouxe de volta os pedidos pela proibição ao Partido Nacional Democrata (PND), mas muitos demonstram ceticismo, já que a última tentativa de proibir o partido, em 2003, foi rejeitada pelo Tribunal Federal Constitucional alemão.

BERLIM, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h07

O motivo da recusa foi a presença de informantes da polícia em posições do alto escalão do PND. A corte decidiu que o partido não poderia ser banido por causa do risco de suas políticas terem sido, em parte, definidas por agentes da lei.

Especialistas em Direito sugeriram que o Gabinete Alemão para a Proteção da Constituição, a agência de espionagem interna do país, teria de retirar do grupo todos os seus informantes antes que uma segunda tentativa de proibição pudesse ser proposta. De fato, o parlamentar que defendeu a proibição em 2003, o jurista Gunter Frankenberg, se diz cético. "Existe o risco de um fracasso da nova tentativa de proibir o PND", disse ele ao jornal Die Welt.

Alguns, no entanto, sugeriram que, se fosse estabelecido um elo claro entre o PND e a direita militante, as preocupações quanto à presença de informantes poderiam ser relevadas. Muitos dizem que a prisão de Wohlleben pode ser a oportunidade pela qual as autoridades estavam esperando.

Os ministros estaduais do Interior planejavam se reunir para debater a questão em Wiesbaden. Enquanto isso, um grupo de trabalho formado por funcionários federais e estaduais está esclarecendo os detalhes legais de uma possível nova proposta de proibição. Segundo o diário Rheinische Post, as autoridades já têm planos concretos para solicitar a proibição. Um funcionário do governo não identificado disse ao jornal que, após as mais recentes prisões no caso da célula de Zwickau, apareceu uma "esmagadora maioria pluripartidária", favorável a medidas do tipo.

Uma proibição ao PND deve encontrar respaldo também entre a população alemã. Numa recente pesquisa de opinião realizada pela emissora ARD, 81% dos participantes disseram acreditar que neonazistas e extremistas de direita eram tratados com demasiada brandura. Mais da metade dos entrevistados disse também acreditar que as autoridades alemãs tinham ignorado propositalmente as atividades assassinas da célula de Zwickau.

O grupo é suspeito de ter matado nove imigrantes e uma policial entre 2000 e 2007. O contexto de radicalismo direitista que envolveu a série de assassinatos, porém, só veio à tona quando os dois membros da célula foram encontrados mortos num furgão na cidade de Eisenach, leste da Alemanha, após um assalto a banco. O suposto cúmplice deles está atualmente preso, mas se recusa a comentar os crimes. Os investigadores estão atrás de mais suspeitos e as autoridades acreditam que até 20 pessoas podem ter feito parte da rede de apoio à célula. / DER SPIEGEL

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