Recusa dos EUA a fornecer armas custou vidas, diz Maliki

A atividade dos insurgentes no Iraque está sendo mais sangrenta e prolongada porque os Estados Unidos se negaram a fornecer armas suficientes às forças de segurança, segundo o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki. Para Maliki, os Estados Unidos deveriam enviar mais armas às tropas iraquianas o quanto antes.A recusa de Washington em oferecer o equipamento necessário custou vidas, disse Maliki em entrevista ao jornal britânico The Times.Além disso, o reforço no armamento das forças iraquianas poderia permitir uma redução "drástica" das tropas americanas no país dentro de três a seis meses, acrescentou.Em relação à presença das tropas dos EUA, o primeiro-ministro disse que a retirada depende de boas condições para as forças de segurança iraquianas, inclusive armamentos. "É preciso um esforço real, forte, para apoiar nossos militares", ressaltou.O Times diz que Washington teme entregar grandes quantidades de equipamento militar, que podem acabar nas mãos de insurgentes.O presidente norte-americano, George W. Bush, anunciou na semana passada que mandará cerca de 21.500 soldados a mais para estabilizar Bagdá e a Província de Anbar. Isso elevará para mais de 150 mil o número de soldados norte-americanos no Iraque. O jornal acrescenta que o governante iraquiano se irritou com as críticas americans por não ter contido as milícias xiitas. "Eu gostaria de receber mensagens de apoio dos EUA, para que os terroristas não achem que tiveram sucesso", acrescentou.O chefe de governo reconheceu os erros em relação à execução do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein. Mas rejeitou parte das críticas sobre o caso.Em uma outra entrevista, ao jornal italiano Corriere della Sera, Maliki criticou o comentário da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, de que seu governo mantém-se vivo além do prazo. "Gostaria de aconselhar Condoleezza Rice a evitar declarações que possam apenas ajudar aos terroristas", disse ele. Ao ser perguntado sobre a crítica do primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, à pena de morte, Maliki comentou o caso do ex-ditador italiano Benito Mussolini, cujo corpo foi exposto após o Fuzilamento.

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