REUTERS/Eduardo Munoz
REUTERS/Eduardo Munoz

Gigantes do varejo restringem venda de armas nos EUA

Walmart e Dick’s Sporting Goods abrem precedente entre grandes cadeias de comércio de armamento

O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 18h22
Atualizado 28 Fevereiro 2018 | 22h20

NOVA YORK - O Walmart, maior rede varejista do mundo, e a Dick’s Sporting Goods, uma importante redes de comércio de artigos esportivos dos EUA, anunciaram ontem restrições à venda de armas em suas lojas. O Walmart decidiu elevar a idade mínima para a compra de armas para 21 anos.

Já a Dick’s Sporting Goods suspendeu a venda de fuzis de assalto e garantiu que também não venderá mais nenhum tipo de arma a menores de 21 anos, mesmo que as leis estaduais o permitam.

“Levamos a sério nossa obrigação de sermos um vendedor responsável de armas de fogo e vamos além da lei federal ao exigir que consumidores passem por uma checagem de antecedentes antes de comprar qualquer armamento”, disse o Walmart, em nota. Apesar de não vender fuzis de assalto desde 2015, a empresa afirmou que também retirará de circulação todas as armas que se assemelhem a fuzis, incluindo brinquedos e réplicas. 

Ambos os anúncios doram feitos duas semanas após o massacre de 17 pessoas na escola de ensino médio Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida.  Até agora, as medidas foram as ações mais enfáticas de corporações americanas em relação ao debate sobre o acesso a armas nos EUA. 

No fim da semana passada, várias empresas criticadas nas mídias sociais em razão de seus laços com a Associação Nacional do Rifle (NRA, o poderoso lobby americano das armas) – entre elas, a Hertz, de aluguel de veículos, a seguradora MetLife e a companhia aérea Delta – encerraram publicamente seus convênios com a entidade, por meio de breves comunicados. 

+ Estudantes enfrentam medo e retornam à escola que foi atacada na Flórida

Edward Stack, o CEO da Dick's, cujo pai fundou a rede em 1948, deixou claro que a nova política é uma resposta ao mais recente ataque a tiros na Flórida - levando sua empresa diretamente ao centro da discussão sobre a venda de armas nos EUA. "Quando vimos o que aconteceu em Parkland, ficamos perturbados e aborrecidos", disse Stack na noite da terça-feira, afirmando que os lemas da campanha por maior controle do comércio de armamentos no país feita pelos sobreviventes do massacre o comoveram.

"Vamos assumir uma posição e contar às pessoas sobre a nossa visão - e esperamos trazer essas pessoas para a discussão", disse Stack, que pretende mobilizar a classe política para as conversações. Enquanto isso, o empresário conclama os políticos a realizar uma reforma à política de vendas de armas nos EUA seguindo o "senso comum", no sentido de estabelecer em 21 anos a idade mínima para a compra de armamentos, proibir a venda de fuzis de assalto e equipamentos que intensifiquem o fogo desse tipo de arma e pela realização de checagens de antecedentes criminais e histórico de doenças mentais dos compradores. 

Esta não é a primeira vez que a Dick's reage a massacres em colégios. Em 2012, após o ataque a tiros que deixou 26 mortos na escola primária de Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, a rede retirou os fuzis de assalto das prateleiras de suas principais lojas. Meses depois, porém, a empresa colocou esse tipo de armamento à venda em suas lojas de equipamento de caça.

Desta vez, Stack afirma que as mudanças serão permanentes. / NYT

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