AP Photo/Kathy Willens
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Rede de lojas Macy's rompe relação comercial com Donald Trump

Companhia se junta a muitas empresas que romperam com o magnata após seus comentários xenófobos sobre mexicanos ao anunciar sua pré-candidatura à Casa Branca

O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2015 | 20h20

NOVA YORK - A rede de lojas de departamento Macy's anunciou nesta quarta-feira, 1º, que também decidiu romper sua relação comercial com o magnata americano e pré-candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, após seus polêmicos comentários xenófobos contra imigrantes mexicanos.

"Pelo teor das declarações feitas por Donald Trump, que são inconsistentes com os valores da Macy's, decidimos pôr fim a nossa relação comercial com o senhor Trump", disse a empresa em comunicado.

A Macy's afirmou estar "decepcionada" e "consternada" pelos comentários de Trump sobre os imigrantes mexicanos e destacou que a diversidade e a inclusão são dois dos pilares da empresa, que "não tolera nenhum tipo de discriminação".

A relação comercial do multimilionário com a Macy's remonta a 2004, quando a rede de lojas de departamento começou a vender a coleção de roupas masculinas Trump, que será retirada gradualmente das araras.

Trump fez duras críticas contra os imigrantes mexicanos e propôs a construção de um muro na fronteira sul dos Estados Unidos.

"Quando o México envia suas pessoas, não manda os melhores, mas cidadãos com muitos problemas. Estão enviando drogas, crimes. São violadores" durante discurso em 16 de junho, quando lançou sua candidatura às primárias republicanas para a corrida à Casa Branca.

Em reação à decisão da Macy's, o magnata propôs que quem concorda com suas ideias deveria boicotar a rede.

"Quem acredita em uma segurança fronteiriça mais firme, no fim da imigração ilegal e em acordos comerciais inteligentes com outros países deveriam boicotar a Macy's", tuítou Trump hoje.

Em comunicado anterior da Trump Organization, o magnata anunciou que ele mesmo tinha decidido terminar sua relação com a rede "pelas pressões exercidas contra eles por fontes externas", que não identificou.

Disse que as camisas e as gravatas da marca Trump vendidas na loja representam "um pequeno negócio em termos de dólares", mas, acrescentou: "meus princípios são mais importantes e, portanto, muito mais valiosos".

No entanto, Trump admitiu que essas gravatas e camisas são fabricadas na China, o que vai contra sua defesa da fabricação nacional, e a partir de agora buscará que sejam produzidas nos Estados Unidos.

Desde seus comentários não cessaram as críticas e muitas empresas romperam suas relações comerciais, como as emissoras de televisão Univisión e NBC, que não transmitirão os concursos de Miss EUA e de Miss Universo, organizados pela Trump Organization.

Apesar da polêmica, o magnata reiterou suas críticas à imigração, e disse que toda essa reação está "motivada politicamente" para limitar sua liberdade de expressão. Ele já entrou com um processo contra a Univisión por quebra de contrato.

O grupo Televisa também anunciou que não participará de projetos de comunicação ligados a Trump, e personalidades como Ricky Martin e Lupita Jones criticaram os comentários do empresário. / EFE

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