Fars News / Reuters
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Rede subterrânea no Irã permite avanço do programa de mísseis

Teste de projétil de médio alcance, na quinta-feira, mostra que desenvolvimento de arsenal é bem-sucedido

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2019 | 05h00

O míssil Shahab 3, do Irã, voou bem por 1.100 km. Foi na madrugada de quinta-feira, de um ponto no litoral até o alvo, perto de Teerã. O teste deixou um rastro de fogo na noite clara. O veículo balístico ficou o tempo todo dentro dos limites do país e, na opinião do Departamento de Defesa dos EUA – que detectou o lançamento – “não representou ameaça ou risco para as instalações americanas na região”.

A versão, adequada ao clima de tensão entre EUA e Irã, esconde segredos. O maior deles pode estar a até 50 metros debaixo da terra, no centro de comando subterrâneo da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã. Outro é a capacidade expandida do Shahab, projeto iniciado em 1998, tendo como referência o coreano Nodong-1. 

O ensaio de quinta-feira envolveu a configuração C3D do míssil – com maior alcance, mais preciso e capaz de levar uma ogiva de 2,1 toneladas de explosivos, eventualmente uma carga nuclear. Antes disso, considerando a possibilidade de um conflito sem armas de destruição em massa, os iranianos desenvolveram sistemas práticos, cinco diferentes ogivas não atômicas. Ao menos uma dessas cabeças de guerra é múltipla: dispersa três cápsulas de ataque independentes, preparadas para buscar três diferentes objetivos. 

O programa de mísseis do Irã é bem-sucedido. Os primeiros movimentos, de 1975, sob o abrigo de uma suposta agência científica de pesquisas espaciais, foram redirecionados em 1980, um ano depois da Revolução Islâmica. Cerca de 45 anos depois, os resultados são consistentes. 

As forças iranianas empregam armas dessa classe desenvolvidas em cerca de 120 laboratórios e 250 centros industriais ligados ao Ministério da Defesa. Os serviços de inteligência ocidentais estimam que estejam em produção regular ao menos 18 tipos – ar-ar, de combate aéreo, antinavio, de cruzeiro com ogivas de 350 kg e alcance na faixa dos 2.500 km, além de configurações antirradar, ar-terra e antiaéreas. 

O arsenal mais significativo é composto por sete gigantes foguetes como o Sejjil (Insurreição, em persa) de 18 metros, três estágios, 21,5 toneladas, preparado para receber ogivas de 1,7 tonelada e despejá-las em um raio de ação de 3 mil km, o suficiente para cobrir qualquer alvo no Oriente Médio e parte da Europa.

Os túneis e abrigos formam um complexo conhecido como as “Cidades dos Mísseis”. A construção teria começado após o ataque terrorista de 11 setembro de 2001. Em 2015, uma das instalações foi revelada pela emissora de TV IRIB.

O comandante da Força Aeroespacial, general Amir Ali Hajizadeh, usava então um mapa do Irã sobreposto a uma malha com a localização das zonas urbanas para indicar que os mísseis estavam “prontos para ser disparados desde seus casulos debaixo da terra de todas as cidades, de todas as províncias”.

Três anos mais tarde, em 2018, Hajizadeh estaria de novo na TV, em um vídeo que mostra cavernas ocupadas por plataformas móveis de lançamento. Em determinados locais, a intervalos regulares, há silos fixos de disparo. Segundo o general, “o Irã não vai iniciar a batalha, mas, se for agredido, sua fúria vai emergir do solo como o fogo de um vulcão”.

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