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Rede terrorista espalha-se como ''vírus'' no país

A Al-Qaeda é como um vírus. Quando aparece em grandes números, isto indica algum problema no sistema imunológico de um país. E há algo de errado no sistema imunológico do Iêmen. Uma fraca administração central em Sanaa governa uma fragmentada estrutura de tribos rurais, empregando um sistema local de clientelismo, cooptação, corrupção e força bruta.

Thomas Friedman, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

Analisemos alguns números: a taxa de crescimento populacional do Iêmen, de 3,5%, é uma das mais altas do mundo, e 23 milhões de iemenitas têm menos de 15 anos, sendo que 75% da população tem idade inferior a 29 anos. O desemprego está entre 35% e 40%, em parte porque a Arábia Saudita e os demais países do Golfo Pérsico expulsaram de seus territórios 1 milhão de iemenitas depois que o Iêmen manifestou apoio a Saddam Hussein na Guerra do Golfo, em 1990.

Por causa das falhas de planejamento e do crescimento populacional, o Iêmen pode se tornar em 15 anos o primeiro país do mundo a esgotar suas reservas de água. O nível d"água do lençol freático de Sanaa está tão baixo que para chegar a ele é necessário usar equipamentos de perfuração de petróleo. Cerca de 70% dos iemenitas são analfabetos e 15% das crianças não frequentam a escola. A maioria dos cidadãos sobrevive com US$ 2 ou menos.

A solução para o país passa por uma revolução contra o status quo, capaz de institucionalizar o estado de direito e estabelecer uma cultura de propriedade e responsabilidade. Sem isto, as tendências negativas acabarão se sobrepondo e o vírus da Al-Qaeda, ainda controlável, vai se espalhar.

ESCRITOR E COLUNISTA DO NYT

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