Yuri CORTEZ / AFP
Yuri CORTEZ / AFP

Redes sociais tornam-se porta-vozes da oposição venezuelana

Líder opositor Juan Guaidó ganha milhões de seguidores depois de desafiar Maduro e declarar-se presidente interino do país

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 15h05

CARACAS - Quando o líder opositor Juan Guaidó se declarou presidente da Venezuela, em 23 de janeiro, os canais de TV do país não transmitiram seu discurso ao vivo. Apesar disso, centenas de milhares de pessoas conseguiram assisti-lo por meio do YouTube, Facebook e Twitter. 

“Hoje na Venezuela qualquer meio de comunicação que quiser seguir no ar não pode falar de Guaidó”, diz o cientista político Andrés Cañizales, da Universidade Católica Andrés Bello. “E ele é um líder cuja maneira de se comunicar passa muito pelas redes sociais.”

Praticamente desconhecido do grande público venezuelano antes de desafiar o presidente Nicolás Maduro, Guaidó chegou nesta semana a mais de um milhão de seguidores no Twitter. No Instagram, ele tem mais de 2,2 milhões. 

Enquanto Guaidó pronunciava seu discurso de posse, a Venevisión, um dos últimos canais privados do país, transmitia a novela Príncipe Azul. “O governo há anos censura a imprensa, comprando os veículos ou forçando uma autocensura”, diz Melanio Escobar, da ONG Redes. “Hoje há inclusive uma proibição expliícita sobre citar o nome de Guaidó no ar, bem como de fala sobre repressão, mortes e prisões arbitrárias.”

Para tentar impedir a todo custo que a mensagem opositora se espalhe, o chavismo tem recorrido cada vez mais a bloqueios de internet ou de aplicativos. “As redes sociais estão funcionando de forma intermitente na Venezuela”, diz o observatório de internet NetBlocks. A ONG Instituto Prensa y Sociedad (Ipys) também notou uma diminuição na velocidade de conexão. 

“Desde 2014, a oposição só tem a internet para divulgar suas propostas e plataformas”, lembra Escobar. 

Mesmo assim, esse alcance irritou o chavismo, que, em 2017 denunciou a “ditadura das redes sociais”. “Quase saí do Facebook porque sempre apareciam vídeos da oposição e isso me dava náuseas”, disse Maduro na ocasião. O líder chavista acusa também as empresas de internet de boicotar as mensagens de seu partido. 

“A oposição faz no momento um uso mais inteligente da rede”, observa Cañizales. “São mensagens mais diretas e mais frescas, enquanto Maduro está sempre divulgando vídeos militares, para mostrar que está no comando.”/EFE

 

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