Redução acelerada de tropas está sobre a mesa

Cenário: Helene Cooper e Eric Schmitt

SÃO JORNALISTAS DO NYT, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2012 | 03h08

Apesar da retórica oficial, o governo Barack Obama discute neste momento a possibilidade de retirar do Afeganistão pelo menos outros 20 mil soldados americanos até 2013. A aceleração da retirada das tropas está em estudos há semanas pelo alto escalão da Casa Branca, mas as discussões agora se dão no contexto de dois graves revezes para os esforços americanos no Afeganistão: o massacre de civis no domingo atribuído a um sargento do Exército e a violência desencadeada depois que soldados americanos puseram fogo em exemplares do Alcorão, no mês passado.

Numa entrevista na segunda-feira, Obama reafirmou seu compromisso com a missão afegã, advertindo que não haverá "uma saída apressada" ao ser indagado sobre a estratégia de guerra dos EUA. "É importante termos certeza de que sairemos de modo responsável, para que não tenhamos de voltar", disse.

A retirada acelerada encontraria a firme oposição dos comandantes militares, que querem manter a maior parte das tropas americanas ainda no Afeganistão até o fim de 2014, quando a missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão será encerrada. A resistência dos militares cria um problema para Obama, que procura encontrar uma solução adequada para acelerar a retirada que se está revelando desordenada e a necessidade de mostrá-la como um sucesso aos aliados da Otan e ao público americano. Os EUA agora têm menos de 90 mil soldados no Afeganistão e 22 mil deles sairão até setembro. Não há uma data para o retorno dos restantes 68 mil, embora o presidente tenha afirmado no ano passado que a retirada continuará "num ritmo constante", até que os EUA possam entregar a segurança do país às forças afegãs em 2014.

Um plano que tem o apoio de Thomas Donilon, assessor de Segurança Nacional, prevê o regresso de pelo menos mais 10 mil soldados até o fim de dezembro e, depois, de 10 mil a 20 mil até junho de 2013. O vice-presidente Joe Biden insiste numa retirada maior, na medida em que a missão passe a desempenhar uma função de apoio, deixando para trás as equipes de Operações Especiais encarregadas da realização de incursões contra alvos específicos. Biden afirma há algum tempo que a missão é vasta demais e deveria se concentrar em primeiro lugar na operação restrita de contraterrorismo para conter rebeldes que possam atacar os EUA.

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