Redução de preços agrava crise de alimentos, diz ONU

O declínio no preço das commodities tem dificultado os investimentos na agricultura, o que pode agravar a crise mundial de alimentos, disse a alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, na segunda-feira. Ela afirmou que, embora os preços de mercado do trigo, do milho e do arroz estejam bem menores do que em 2008, centenas de milhões de pessoas estão sob risco de falta de comida. "De forma perversa, os preços dos alimentos em queda estão desestimulando o investimento na agricultura. Isso, por sua vez, atrapalha os esforços necessários para aumentar a produção de alimentos", disse Pillay em um debate sobre as consequências da falta de comida para os direitos humanos. A ex-juíza sul-africana afirmou que os alimentos básicos permanecem inacessíveis para a população mais pobre do planeta, cujas necessidades não deveriam ser ignoradas pela comunidade internacional. "Os esforços para mitigar a fome e promover e proteger o direito à alimentação ainda não foram traduzidos em ação concreta", afirmou ela. "Claramente, a crise ainda não acabou." Olivier de Schutter, enviado especial da ONU para o direito à alimentação, disse ao Conselho de Direitos Humanos do organismo que os mercados de commodities permanecerão voláteis nos próximos anos e os governos precisam fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que as pessoas tenham o que comer. CHOQUE DE ALIMENTOS "Deverão ocorrer choques no futuro, da mesma magnitude. Precisamos estar mais bem preparados para enfrentá-los", disse ele, citando a necessidade de assistência alimentar mais ativa e regras mais justas no comércio agrícola. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), agência com sede em Roma, disse que mais de 30 países ainda enfrentam uma crise alimentar apesar da queda no preço dos cereais, ocorrida junto com a deflagração da crise econômica global na segunda metade de 2008. O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan está entre os principais defensores por mais investimentos para incentivar a produtividade agrícola na África a fim de evitar escassez de alimentos e estimular a economia. Enquanto muitos diplomatas saudaram o foco do Conselho de Direitos Humanos no acesso aos alimentos como uma preocupação de direitos humanos, alguns grupos não-governamentais disseram que outras questões de peso precisavam de mais atenção do fórum que reúne 47 países. Peter Splinter, da Anistia Internacional, disse que os governos recebendo assistência alimentar precisam ser responsabilizados para garantir que os suprimentos cheguem aos necessitados, citando como exemplo a recente expulsão de grupos de assistência humanitária do Sudão.

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