REUTERS/Ammar Awad
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Reeleição dá fôlego a Bibi na Justiça e leva Trump a apressar seu plano de paz

Para analistas, Netanyahu cumprirá a promessa de expandir a soberania israelense sobre partes ocupadas da Cisjordânia em troca de lei que lhe daria imunidade contra denúncias de corrupção

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 22h05

JERUSALÉM - A vitória de Binyamin Netanyahu para um quinto mandato como primeiro-ministro de Israel levantou duas discussões importantes no país: as negociações de paz com os palestinos e a própria sobrevivência do líder no cargo, uma vez que ele enfrenta uma série de denúncias de corrupção. Netanyahu e seu partido, o Likud, venceram apesar de terem conquistado 35 cadeiras no Parlamento, o mesmo número que o principal oponente, Benny Gantz.

Interligados, os dois temas pesarão nas negociações que devem levar a uma coalizão de direita, como prometeu o premiê na campanha. Para ter sucesso, analistas estimam que Netanyahu cumprirá a promessa de expandir a soberania israelense sobre partes ocupadas do território da Cisjordânia para fechar um acordo com os parceiros de coalizão.

Em contrapartida, a nova maioria no Knesset favorável a ele tende a mudar uma lei para beneficiá-lo com imunidade nas acusações de corrupção e suborno. “Esses dois objetivos poderiam ser resumidos como imunidade em troca de soberania”, analisou o jornalista israelense Aluf Benn no Haaretz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, felicitou Netanyahu e disse que sua vitória abre uma possibilidade de negociação de paz com os palestinos. O genro e assessor de Trump, Jared Kushner, e a Casa Branca anteciparam em março que planejavam publicar depois das eleições em Israel um plano de paz entre israelenses e palestinos.

Espera-se que o plano que Kushner vem preparando há quase dois anos aborde os temas mais espinhosos no conflito, entre eles o estabelecimento de fronteiras. Mas seu futuro é incerto, uma vez que os palestinos rejeitam negociar com os EUA depois do reconhecimento americano de Jerusalém como capital de Israel, em 2017. Além disso, novas anexações na Cisjordânia enterrariam a solução de dois Estados desejada pelos palestinos. Não está claro se a proposta americana incluiria a troca de territórios.

Segundo o Haaretz, o futuro líder da ultra direita e da coalizão no próximo Knesset Bezalel Smotrich deixou claras as condições para o premiê. Para garantir uma legislação que praticamente enterraria a investigação contra Netanyahu, ele terá de coordenar o que chamou de “acordo do século” com Trump, de maneira que Israel declare soberania sobre os assentamentos e garanta que nenhum colono seja despejado. 

‘Rei Bibi’. As eleições de terça-feira parecem ter sido uma prova do respaldo em Israel de Netanyahu, de 69 anos, apesar das graves acusações de corrupção que enfrenta e do impacto que um quinto mandato teria para o processo de paz com os palestinos. No dia 11, o premiê afirmou que Israel era “o Estado do povo judeu” e não de “todos seus cidadãos”, o que despertou fortes críticas em um país onde 20% da população é árabe.

No sistema eleitoral proporcional de Israel, nenhum partido jamais obteve a maioria das cadeiras do Parlamento. As principais formações fecham alianças para conseguir 61 das 120 vagas da Casa. Com quase a totalidade dos votos apurados, os números indicavam que o Likud e um grupo de partidos aliados da direita terão 65 cadeiras, o suficiente para consolidar a maioria e formar o novo governo. 

Durante a campanha, Gantz, da coalizão de centro Azul e Branco, liderou as pesquisas. Netanyahu se esforçou para obter o respaldo de toda a ala de direita. Nos últimos dias de campanha, ele esteve ao lado do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, do russo Vladimir Putin e do próprio Trump, que declarou reconhecer as Colinas do Golan como parte de Israel. A região faz parte da Síria. / W. POST, AFP e EFE

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