AP Photo/Ariana Cubillos)
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'Reeleição de Maduro deve piorar crise econômica atual'

Para economista venezuelano Juan Manuel Suárez, governo usa a fome como fator de coação

Entrevista com

Juan Manuel Suárez, consultor econômico

Rodrigo Cavalheirto, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2018 | 05h00

Qual será o efeito desta eleição na economia?

O governo usa a fome como fator de coação. Mantém o controle sobre o câmbio, sobre os preços e limita a mobilidade de capitais. Isso inibe novas empresas, pois não há investidores. Estamos mais dependentes de acordos com China e Rússia e mais vulneráveis à uma queda do preço do petróleo. A vitória de Maduro deve piorar a crise, intensificar os sintomas atuais: paralisação, corrupção, hiperinflação permanente, com eliminação de pelo menos três zeros por ano, e escassez no médio e no longo prazo. 

O que Maduro pode fazer para conter a hiperinflação?

Os atores da economia venezuelana estão inertes, o que pressiona os preços. Uma reversão disso depende primeiro de o Branco Central parar de emitir dinheiro no ritmo atual. Em segundo lugar, para recuperar a confiança na moeda é preciso atrelar o preço do bolívar ao dólar ou a uma cesta de moedas. O sistema de Crawling Peg, em que a moeda flutua entre bandas estabelecidas pelo Banco Central, já funcionou na economia venezuelana. Em terceiro lugar, uma mudança estrutural necessária é a venda de divisas geradas pela petrolífera estatal PDVSA ao Banco Central, que deveria então administrar as importações, o pagamento de dívidas e a criação de reservas. Isso robusteceria a economia interna e reduziria a vulnerabilidade de flutuações do preço do petróleo. Em quarto lugar, Maduro deveria flexibilizar e depois desmontar o controle cambial.

A alta recente no preço do petróleo pode amenizar a crise?

Grande parte das exportações petrolíferas serve para o pagamento de dívidas e intercâmbios com Rússia, China e convênios como o Petrocaribe. Um porcentual pequeno do produto é vendido por dinheiro líquido. Outro fator é a diminuição da produção da PDVSA. Por essas duas razões, o aumento no preço do petróleo não se traduz em elevação significativa nos ingressos. Além disso, se mantém a vulnerabilidade diante de uma queda no preço, uma vez que essa é a única fonte de divisas.

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