Reeleição de Obama domina manchetes pelo mundo

Diários destacaram fato de presidente vencer mesmo com alta taxa de desemprego e questionaram estratégia republicana

BBC Brasil, BBC

07 de novembro de 2012 | 11h28

WASHINGTON - A reeleição de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos dominou as manchetes dos principais jornais internacionais nesta quarta-feira, 7.

Nos Estados Unidos, o diário The New York Times, com a manchete "A noite de Obama", afirma que ele foi reeleito "superando poderosos ventos econômicos contrários, uma resistência coordenada à sua agenda pelos republicanos no Congresso e uma onda sem precedentes de propaganda em uma nação dividida que votou para dar a ele mais tempo".

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O Washington Post, por sua vez, diz que Obama derrotou o republicano Mitt Romney "ao recompor a coalizão política que o levou à vitória há quatro anos e ao se reconstruir de um esperançoso unificador a um determinado combatente pelos interesses da classe média".

O diário econômico The Wall Street Journal observa que o presidente enfrentará um Congresso dividido, com os republicanos no controle da Câmara e os democratas no controle do Senado. Para o jornal, o resultado frustrou as esperanças dos republicanos de conquistar todas as instâncias de poder e deixou o partido em uma "nuvem de melancolia".

O Los Angeles Times comenta que Obama superou "uma recuperação econômica lenta e um enorme massacre de propaganda para ganhar um segundo mandato na terça à noite, estabelecendo uma coalizão de mulheres, minorias e jovens que reflete a face política em transformação da América".

O conservador The Miami Herald faz comentário parecido, afirmando que Obama "se manteve com a coalizão que o levou à vitória em 2008: mulheres, latinos, afro-americanos e jovens". O jornal acrescenta ainda que Romney, "que tentava se tornar o primeiro mórmon eleito presidente, foi capaz de vencer em apenas dois Estados nos quais Obama venceu na eleição anterior, Indiana e Carolina do Norte".

Europa

Na Europa, grande parte dos jornais foi às rotativas antes da definição do resultado da eleição. O britânico The Times ocupou toda a sua primeira página da edição desta quarta-feira com uma imagem da bandeira americana sobreposta com os dizeres: "A decisão". Em seu site, o jornal informava: "Reeleito por uma margem mais ampla que sua própria equipe ousou esperar, o presidente Obama prometeu nesta manhã reduzir a crescente divisão política que ameaçou descarrilar seu primeiro mandato na Casa Branca".

O diário The Guardian, com a manchete impressa "O veredicto da América sobre Obama", afirmava em seu site que Obama "prometeu ao povo americano que 'o melhor ainda está por vir' ao aceitar seu segundo mandato na Casa Branca após derrotar com facilidade seu rival republicano, Mitt Romney".

O jornal econômico Financial Times afirma, em sua versão online, que Obama "garantiu mais quatro anos na Casa Branca, superando um desafio forte de Mitt Romney após uma das mais ásperas e caras corridas à Presidência americana".

Na França, o diário Le Monde afirma que "a estratégia eleitoral republicana não funcionou". "A vitória de Barack Obama, primeiramente e principalmente, pertence aos seus estrategistas, que, sob um complexo sistema eleitoral em vigor nos Estados Unidos, conseguiram colher votos eleitorais suficientes sem que seu candidato tivesse assegurado uma liderança decisiva no voto popular".

Outro diário francês, Libération, observa que a reeleição é "ainda mais impressionante, porque Obama enfrentou uma crise econômica sem precedentes desde 1929". "Ele foi também o primeiro presidente desde Franklin Roosevelt a ser reeleito com uma taxa de desemprego tão alta quanto os 7,9% de outubro", diz o jornal.

O espanhol El País diz que o presidente terá o desafio de "resgatar da crise um país dividido" num momento em que "o predomínio americano está mais ameaçado do que nunca".

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O diário econômico alemão Handelsblatt diz que "não há tempo para celebrações". "O presidente precisa agora combater os problemas que ficaram sem solução por meses e dizer as verdades desconfortáveis".

Outro jornal alemão, Die Zeit, diz que Obama enfrenta "grandes desafios" em seu segundo mandato. "Ele precisa reduzir o mais rapidamente possível o enorme deficit do orçamento sem arriscar uma nova recessão. Para isso, ele precisa do apoio do Congresso, que permanece dividido".

Israel e Irã

O diário israelense Haaretz afirma, em sua edição em hebraico, que o premiê Binyamin Netanhyahu também saiu perdedor com a derrota de seu amigo de longa data Mitt Romney na corrida à Casa Branca. Em referência à manifestada preferência de Netanyahu durante a campanha americana, o jornal afirma que o premiê israelense não poderá agora reclamar caso Obama se manifeste a respeito das eleições em Israel.

O jornal de maior tiragem do país, o conservador Israel Hayom, analisa o impacto da eleição americana sobre a política local israelense e afirma que a vitória de Obama aumenta as chances de os ex-premiês Ehud Olmert e Tzipi Livni, do partido centrista Kadima, retornarem à política para a disputa das eleições marcadas para janeiro de 2013.

No Irã, o diário Etemad afirma que o país "precisa agora observar Obama mais de perto". "Presidentes dos Estados Unidos em segundo mandato assumem riscos maiores porque não precisam se preocupar com as próximas eleições", diz o jornal.

Um artigo em outro jornal iraniano, Arman, diz que "as pessoas que acreditam que Obama vai evitar uma guerra contra o Irã estão corretas, mas eles estão errados em considerar a reeleição de Obama menos perigosa para Teerã do que se Romney estivesse na Casa Branca".

China

O diário China Daily, ligado ao Partido Comunista Chinês, afirma que Obama "terá de gastar parte de seu capital político para estabilizar a relação dos Estados Unidos com a China mesmo se esses laços se tornarem mais competitivos". "Alguns importantes analistas americanos sobre a China dizem que os desafios de Obama nos próximos quatro anos devem incluir fortalecer a política americana, incluindo a militar, de reequilíbrio da presença ampliada na Ásia-Pacífico, da construção de uma equipe de relações internacionais para o segundo mandato e da formulação de políticas comerciais duradouras com a China", afirma o jornal.

Segundo o diário, Obama deve manter suas políticas sobre a China, "particularmente na construção de laços bilaterais amplos e cooperativos".

América Latina

O principal jornal mexicano, El Universal, diz que a vitória de Obama de certa forma contradiz os analistas. "Apesar de ter posto fim à guerra no Iraque e de ter acabado com a vida de Osama bin Laden, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos está hoje envelhecido e comanda um país com quase 8% de desemprego", observa o jornal.

"Desde a década de 30, nenhum presidente tinha conseguido se reeleger com essas taxas (de desemprego). Entretanto, Obama já demonstrou que nasceu para romper padrões", diz o diário.

O Reforma, também da Cidade do México, afirma que Obama foi reeleito com dificuldade e que "deverá lidar com os mesmos problemas que enfrentou em sua primeira gestão: um deficit fiscal e a reforma migratória".

O argentino Página/12 diz que "Obama foi reeleito em seu papel de comandante-chefe das Forças Armadas". "O governo democrata pôs fim à guerra no Iraque, continuou a do Afeganistão e liquidou o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, artífice dos atentados ao World Trade Center de 2001. Para a maioria dos americanos, Obama fez o correto", diz o jornal.

O também argentino Clarín afirma que a vitória de Obama "deixou a descoberto as debilidades de seu rival republicano, Mitt Romney". "O ex-governador de Massachussets tentou convencer os americanos de que estava em melhores condições que Obama para tirar o país da crise que se iniciou em 2008, por conta de sua experiência empresarial, mas claramente não conseguiu", diz o jornal.

Para a publicação, "a vitória do atual presidente também foi um grande revés para o setor fundamentalista republicano Tea Party, que, de agora em diante, será culpado por ter dividido o partido e obrigado Romney a adotar posições radicais demais para conquistar os indecisos, um setor do eleitorado que não aceita os extremos".

O diário El Tiempo, da Colômbia, também questiona o impacto do Tea Party sobre o resultado da eleição. "Para os republicanos, a derrota é complicada, porque há temores entre seus eleitores de que as políticas implementadas por Obama levem ao caos ou a uma crise pior do que a que atravessa o país", diz o jornal.

"Além disso, ver Obama reeleito deixa aos republicanos a incerteza de se as posições de direita encarnadas no Tea Party - que em algum momento os ajudou a avançar no Congresso - lhes custou o voto dos eleitores mais de centro, descontentes com Obama, mas não dispostos a assumir posições mais extremadas", afirma o diário.

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