Reeleita, Merkel tenta atrair a centro-esquerda

Chanceler alemã teve no domingo o melhor resultado dos conservadores desde 1990, mas terá de se aliar com rivais; 'estamos abertos ao SPD', avisou

BERLIM, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2013 | 02h07

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, começou ontem a convencer os rivais da centro-esquerda a mantê-la no poder. No domingo, o partido de Merkel, a União Democrata-Cristã (CDU), alcançou seu melhor resultado nas urnas em mais de duas décadas, mas sem conseguir a maioria absoluta necessária para formar um governo.

Mesmo os adversários da chanceler reconheceram que Merkel, filha de um pastor luterano da antiga Alemanha Oriental, foi a grande vitoriosa na primeira eleição no país desde o início da crise do euro, em 2010, que a colocou no papel de principal líder da Europa.

No entanto, apesar de conduzir os conservadores a seu melhor resultado desde 1990 - com 41,5% dos votos e a apenas cinco cadeiras de conseguir, pela primeira vez, a maioria absoluta no Parlamento em mais de meio século - Merkel teve pouco tempo para comemorar.

"Estamos abertos a conversações e já mantive contato com o líder do SPD (Partido Social-Democrata), que disse que deve, primeiramente, ter uma reunião de seus dirigentes, na sexta-feira", declarou a chanceler, que não descarta a possibilidade de conversar com outros possíveis aliados em uma coalizão.

Analistas dizem que a formatação de uma aliança pode levar até dois meses, considerando os sinais dados pelo SPD, arquirrival de Merkel, de que jogará duro na negociação para repetir a "grande coalizão" que ela liderou de 2005 a 2009. Na ocasião, o acordo foi bom para Merkel, mas custou ao SPD milhões de votos entre a esquerda.

"Será uma estrada extremamente longa", disse Ralf Stegner, um dos líderes do SPD, que não demonstrou muito entusiasmo em se tornar parceiro minoritário da CDU. O partido, apesar de ter obtido um resultado frustrante - 25,7% dos votos e o segundo pior resultado no pós-guerra -, sabe que Merkel tem de procurá-lo, já que o atual aliado do governo na coalizão de centro-direita, o Partido Liberal Democrata (FDP), não conseguiu votos suficientes para enviar representantes ao Parlamento.

No total, grupos de centro-esquerda obtiveram 42,7% dos votos - além do SPD, os Verdes ficaram com 8,4% - bem abaixo da votação de 2009 - e o partido Die Linke (A Esquerda) obteve 8,6%.

Um líder do SPD, sob condição de anonimato, fez piada ao dizer que teria sido melhor que Merkel obtivesse maioria absoluta. "Teria sido a pior punição para ela assumir sozinha a responsabilidade por tudo."

No entanto, na política alemã, somente um chanceler no pós-guerra obteve maioria absoluta de votos, o patriarca conservador Konrad Adenauer, em 1957. Por isso, as complexas coalizões de governo já se tornaram parte da política local.

A condução firme do país durante a crise do euro reforçou a popularidade de Merkel. Segundo pesquisas, no entanto, a maioria dos eleitores gostaria de ver uma outra "grande coalizão", principalmente os parceiros da Alemanha na Europa, que esperam que a presença do SPD suavize a posição dura da chanceler, com foco nas medidas de austeridade.

Os títulos do governo alemão subiram ontem, mas o euro ficou sob pressão em razão da preocupação quanto ao tempo que levará para Merkel formar a nova coalizão de governo. / REUTERS

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