Refém das Farc é resgatado com apoio do Brasil

Vereador Marcos Baquero diz que todos os presos serão libertados 'provavelmente' até junho

Claudia Jardim, BBC

09 de fevereiro de 2011 | 22h24

Uma missão humanitária a bordo de um helicóptero brasileiro resgatou, nesta quarta-feira, um dos cinco reféns que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) haviam prometido libertar nos próximos dias.

O vereador Marcos Baquero, de 33 anos, era mantido em cativeiro desde junho de 2009. Em suas primeiras declarações a uma emissora de TV local, Baquero fez um apelo para que todos os reféns em poder da guerrilha sejam libertados.

"Temos que continuar trabalhando duro para a libertação de outros sequestrados", disse, por telefone, à TV Caracol. "Graças a Deus, já estou em liberdade."

O helicóptero que transportava Baquero chegou no aeroporto de Villavicencio, no departamento (Estado) de Meta (centro do país), com pelo menos três horas de atraso em relação ao horário previsto para o fim deste primeiro resgate de uma série de três que serão realizado até o domingo. O vereador foi recebido com emoção pela esposa e dois filhos, um de dez e outro de dois anos. Marcha

Logo depois de sua chegada, Baquero disse que organizará uma marcha para na Colômbia para exigir a libertação de todos os reféns.

O vereador disse que uma das dificuldades que enfrentava em cativeiro era estar isolado. "O pior é não ter com quem conversar." "É preciso acabar com os sequestros, isso é muito duro para o país, muitas famílias estão sofrendo com isso", disse. Baquero reiterou a informação que havia sido divulgada pela ex-senadora Piedad Córdoba, ao afirmar que "provavelmente" até junho todos os reféns que ainda estão em cativerio serão colocados em liberdade.

Os familiares organizaram uma festa para receber o vereador, que era presidente do Conselho Municipal de San José del Guaviare quando foi sequestrado pela guerrilha.

Participaram da missão humanitária a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, principal mediadora com a guerrilha, membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, membros da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz e a tripulação brasileira.

Conforme o acordo estabelecido entre a guerrilha, Cruz Vermelha e o governo, as Forças Armadas suspenderam suas operações militares, incluindo sobrevoos, durante 36 horas, para garantir a segurança das equipes de resgate e dos reféns.

Acordo de paz

A libertação deste grupo de reféns aumenta a expectativa na Colômbia de que a guerrilha e governo negociem um acordo de paz para terminar com o conflito armado que dura mais de seis décadas.

Nesta semana, as Farc emitiram um comunicado no qual mencionam a necessidade de abrir um canal de diálogo que leve a uma "negociação política" do conflito armado.

Para o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, as libertações unilaterais não são suficientes para isso.

"Isso não basta. Os colombianos exigimos, demandamos a imediata libertação de todos os sequestrados", disse. "Para começar a pensar na possibilidade de diálogo são necessários fatos contundentes: renúncia ao terrorismo, ao sequestro, ao narcotráfico, à extorsão e à intimidação", afirmou Santos na segunda-feira.

A última e fracassada tentativa de diálogo entre governo e as Farc ocorreu durante o governo de Andrés Pastrana, entre 1998 e 2002. Desde então, em especial, com a chegada do governo do ex-presidente Álvaro Uribe prevalece a vía militar, não negociada, de combate ao grupo armado.

Novas libertações

Na sexta-feira, a missão humanitária deve regressar à selva colombiana para resgatar a outros dois reféns: o vereador Armando Acuña e o soldado da Marinha Henry López.

O fim do processo de libertações, que ocorrerão em três pontos diferentes da selva colombiana, será no domingo, quando a missão humanitária deve trazer de volta o major da polícia Guillermo Solórzano e o suboficial do Exército Salín Antonio Sanmiguel.

Com essas libertações, ainda restarão 16 reféns em poder da guerrilha. De acordo com a senadora Piedad Córdoba até junho, todos os sequestrados serão colocados em liberdade.

Córdoba, que se tornou a principal articuladora das libertações unilaterais de reféns da guerrilha, teve seu mandato cassado no ano passado, em uma controvertida decisão da Corte colombiana, que a acusou de manter ligações políticas com o grupo armado. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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