AP/Acervo Pessoal
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Refém é assassinado antes de ser resgatado

Sul-africano em poder da Al-Qaeda no Iêmen foi morto por seus captores em meio a incursão de forças especiais dos EUA

O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2014 | 17h44

ISTAMBUL, TURQUIA - Durante 18 meses, um grupo de civis na África do Sul trabalhou para realizar o que o governo de Pretória não conseguiu: negociar a libertação de um casal em poder da Al-Qaeda na região desértica do Iêmen.

Em janeiro, os negociadores civis conseguiram garantir a libertação da mulher, Yolande Korkie. E recentemente eles receberam a confirmação de que o grupo concordara em soltar o marido dela, Pierre Korkie, em troca do pagamento de resgate de US$ 200 mil.

No sábado de manhã um comboio de carros estava preparado para sair da cidade de Aden, no sul do Iêmen, para pegar o refém de 54 anos do posto avançado onde ele estava preso.

Às 6 horas em Johannesburgo, Imtiaz Sooliman, diretor do grupo assistencial que levou ao longo esforço, mandou uma mensagem para Yolanda: "A espera está quase encerrada". Às 8h03, o telefone dela tocou novamente, desta vez com notícias que pareciam inacreditáveis: Korkie estava morto.


Horas antes de sua esperada soltura, o refém sul-africano foi morto por seus carcereiros quando uma operação secreta dos Estados Unidos para salvar o seu companheiro de cela - Luke Somers, um fotojornalista americano - deu errado . Somers e oito civis foram mortos no ataque.

Funcionários do governo americano disseram que não sabiam que Korkie estava prestes a ser libertado, revelando a perigosa desconexão que pode ocorrer quando civis decidem negociar a soltura de reféns por conta própria.

O governo da áfrica do Sul, assim como os Estados Unidos, se apoia em uma política estrita de não pagar resgates a grupos terroristas que mantém cativos seus cidadãos, argumentando que os pagamentos encorajam os sequestradores e perpetuam o problema.

"Na noite anterior, eu passei horas no telefone com Yolande para tentar acalmá-la", disse Sooliman, que chefia a caridade, Gift of The Givers, que coordena projetos humanitários em oito países, incluindo o Iêmen. "Eu disse a ela: 'Vou chamá-la quando Pierre estiver nas nossas mãos', disse ele. "Ela foi dormir com essa sensação boa no coração."

Desconhecida para eles, uma incursão noturna já estava em progresso no Iêmen. O presidente Obama aprovou a ida de uma unidade de seis comandos de SEAL da Marinha numa tentativa de resgatar Somers após concluir que sua vida estava em perigo iminente, já que um prazo estabelecido pelos seus captores estava prestes a terminar. Enquanto Yolande estava tentando cair no sono em sua casa em Bloemfontein, na África do Sul, aviões das forças americanas estavam sobrevoando um vilarejo sombrio na região rural do Iêmen.

Não se sabe o que deu errado. Logo depois que os comandos chegaram ao complexo onde os reféns estavam presos, um tiroteio começou. Korkie e Somers foram baleados por seus carcereiros antes que os fuzileiros pudessem chegar até eles.

Korkie estava morto há horas quando Yolande acordou no sábado e retomou as mensagens de texto com Sooliman, para organizar os detalhes finais da libertação de seu marido.

Os responsáveis pela operação americana não sabiam que o refém sul-africano estava prestes a ser solto, disseram. "Não estávamos cientes antecipadamente sobre qualquer tipo de plano de soltura de outros reféns", um funcionário americano que pediu para não ser identificado, disse logo após a missão fracassada. "Não estava em nossos planos." / NYT

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