EFE/Angelo Carconi
EFE/Angelo Carconi

Referendo não é ‘sobre mim’, diz premiê italiano 

Itália vota domingo reforma constitucional para enxugar administração pública; Renzi indica recuo em promessa de renúncia caso seja derrotado

O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2016 | 20h19

ROMA  - O referendo convocado na Itália para domingo sobre a reforma constitucional não é “sobre mim”, disse nesta quinta-feira, 1º, o primeiro-ministro, Matteo Renzi, que garantiu não estar “personalizando” a consulta. “Este referendo não afeta a quem o assina”, declarou Renzi ao canal SkyTG24, “mas sim às próximas gerações”.

A reforma constitucional que, entre outras coisas, elimina a função legislativa do Senado, deverá ser referendada na consulta de domingo, uma medida que é vista como crucial não só na parte legislativa, mas para o próprio governo – Renzi ameaçou renunciar se não for aprovada.

“Sou muito menos importante que a reforma constitucional”, insistiu Renzi, que vinculou inicialmente o resultado do referendo à continuidade à frente do Executivo, embora posteriormente tenha lamentado ter feito essa relação.

Ele respondeu à rejeição do Movimento 5 Estrelas (M5S) à reforma proposta criticando e personalizando seu líder, Beppe Grillo. “Ele teme que os eleitores votem com a cabeça. Os eleitores sabem que, com o ‘não’, a casta fica”, avaliou Renzi, mencionando o conceito utilizado pelos líderes do M5S.

A reforma submetida à votação fará com que o Senado seja um ente de representação territorial e passará de 315 senadores para um máximo de 100, que serão escolhidos pelos governos regionais e locais. Com isso, eles não receberão salário, mas terão imunidade parlamentar. 

“Com o ‘sim’ acaba a anomalia italiana”, declarou Renzi sobre a instabilidade política no país. O sistema bicameral vigente e o atraso imposto na tramitação das leis é o alvo principal da mudança constitucional proposta pelo Executivo. O objetivo é obter uma gestão mais ágil e uma Itália que não seja conhecida pela lentidão das reformas que diferentes governos tentaram levar adiante. 

Analistas políticos consideram que, depois das eleições nos EUA e da vitória do candidato republicano Donald Trump, o referendo na Itália é visto como uma nova batalha entre aqueles que se dizem “contra o sistema”. No caso italiano, isso pode significar a chegada ao poder do Movimento 5 Estrelas, liderado pelo excêntrico Beppe Grillo. / EFE

 

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