Referendos alcançam quórum na Itália, e sinalizam novo revés para Berlusconi

Premiê pregava abstenção em referendo sobre energia nuclear e a lei do impedimento legal

Efe

13 de junho de 2011 | 10h38

ROMA - A participação nos quatro referendos convocados na Itália para decidir sobre a energia nuclear, a gestão da água e a lei do impedimento legal, um dos "escudos judiciais" do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, superou nesta segunda-feira 50%, tornando os processos vinculativos.

Pelos dados do Ministério do Interior no fechamento dos colégios eleitorais, no segundo e último dia de votação, a participação superou os 57%, mesmo antes do fim da apuração, um claro golpe para Berlusconi que defendia a abstenção.

Em uma pesquisa feita pela empresa EMG para o canal de televisão "A7", a participação nos referendos ficaria entre os percentuais de 54,5% e 59,5%.

Após a divulgação das primeiras projeções, o partido da oposição Itália dos Valores (IDV), um dos promotores das consultas, expressou sua satisfação, e seu dirigente Leoluca Orlando declarou que "a maioria dos italianos disse um claro 'não' ao convite de Berlusconi de não participar do referendo".

Na outra ponta, o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, minimizou a importância dos dados de participação e declarou: "se não tivesse alcançado o quórum teria sido um grande 'bumerangue' na esquerda, quem politizou a questão. Mas o fato de ter sido alcançado o quórum não muda nada para o Governo", minimizou.

O ministro de Atualização de Programa do overno, Gianfranco Rotondi, declarou que "o governo seguirá em frente pelo bem do país sem esconder que o resultado do plebiscito não é uma rejeição, mas também não uma vitória".

Os quatro referendos são percebidos na Itália como um novo teste de apoio a Berlusconi após o revés eleitoral sofrido as últimas eleições municipais, quando seu partido perdeu a Prefeitura de Milão, já que seria decidido sobre duas leis fortemente defendidas pelo Executivo, como a volta à energia nuclear e um de seus escudos judiciais.

Poucas horas antes do fechamento dos colégios eleitorais e considerando os dados de participação com os quais havia fechado no sábado, Berlusconi, um dos principais defensores do retorno à energia nuclear, já havia dado por perdida a consulta.

"A Itália provavelmente, como consequência de uma decisão que o povo italiano está tomando, deverá dizer adeus à questão das usinas nucleares e, portanto, teremos de comprometer-nos fortemente no setor das energias renováveis", indicou Berlusconi em Roma ao fim de uma cúpula ítalo-israelense.

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