Refinarias e portos do sul da França encerram greve

As centrais sindicais francesas disseram que votaram para acabar com os greves em todas as 12 refinarias de petróleo do país e também nos maiores portos, onde trabalhadores protestaram durante semanas contra a reforma da previdência. Os trabalhadores do terminal portuário petrolífero de Fos-Lavera, no Mediterrâneo, o terceiro maior do mundo, também votaram pelo final da greve.

AE, Agência Estado

29 de outubro de 2010 | 16h25

A central Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT) disse que as quatro refinarias ainda em greve votaram por encerrar a paralisação. Os trabalhadores das docas de Marselha votaram pela volta ao trabalho. A greve em Marselha deixou 80 navios ao largo durante semanas. Os trabalhadores do porto de Le Havre também encerraram a greve.

Em Fos-Lavera, a 70 quilômetros de Marselha, a greve durou 33 dias, informou a autoridade portuária. O processo de descarregar e carregar 78 navios que permanecem ao largo começou hoje e poderá durar quatro semanas. Além de servir às refinarias francesas próximas ao Mediterrâneo, Fos-Lavera abastece o oleoduto do Sul da Europa, que transita em um eixo até a cidade alemã de Karlsruhe. O oleoduto transporta 23 milhões de toneladas métricas por ano, 33% do fluxo europeu de petróleo.

"Todo o tráfego foi retomado no porto de Le Havre, petróleo incluído", disse um funcionário do porto hoje. As greves em refinarias e portos causaram ampla falta de combustível no país nas duas últimas semanas, com muitos postos não tendo estoque do produto para vender. "A ação (grevista) deve acabar em todas as fábricas da Total até o meio do dia. As entregas do produto refinado devem ser retomadas em breve na Normandia e os passos preliminares para o reinício da produção devem ser tomados em Flandres hoje", disse mais cedo um porta-voz da petrolífera estatal. As refinarias de Flandres e da Normandia ficam no norte francês.

A GGT garantiu que as operações nas refinarias não serão retomadas rapidamente. Segundo um membro da CGT, mesmo aqueles que encerraram suas greves em refinarias não conseguiriam trabalhar normalmente, por causa da falta das entregas vindas do complexo portuário de Fos-Lavera. Segundo um porta-voz do CGT, "quase nenhuma" das refinarias cujos funcionários decidiram encerrar a greve tem petróleo suficiente para reiniciar a produção.

Os trabalhadores protestam contra a reforma previdenciária defendida pelo governo do presidente Nicolas Sarkozy, que entre outros pontos amplia a idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos. As informações são da Dow Jones.

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