Reforço antiterrorista custará € 990 milhões à França

Entre as medidas, estão ampliação de serviços de inteligência e suspensão da redução de efetivo nas Forças Armadas

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

03 Março 2015 | 02h03

As medidas de reforço da segurança interna da França e de luta contra o terrorismo após os atentados de Paris vão custar quase € 1 bilhão aos cofres franceses. A revelação foi feita ontem pelo ministro das Finanças, Michel Sapin.

Entre as medidas mais custosas, estão a contratação de novos funcionários para os serviços de inteligência, a suspensão da redução de efetivo nas Forças Armadas e a presença intensiva de agentes no policiamento de locais de culto, redes de transporte, centros comerciais, locais turísticos e sedes de veículos de imprensa.

O valor preciso da segurança estimado até agora pelo Ministério das Finanças é de € 940 milhões, após os atentados dos dias 7, 8 e 9 de janeiro contra o jornal satírico Charlie Hebdo, contra policiais e um mercado judaico da capital.

Os ataques deixaram 17 mortos, além dos 3 terroristas, e revelaram a extensão da ameaça terrorista na França. Desde então, o país vive sob alerta máximo no Plano Vigipirata, o sistema que determina o grau de mobilização das forças de ordem contra atentados.

Só na região de Ile-de-France, onde Paris está situada, o "alerta atentado" exige o patrulhamento intensivo de pontos turísticos, redes de transporte, centros comerciais abertos e fechados, instituições públicas, centros de culto, escolas e sedes de veículos de imprensa. Só para a vigilância de 717 escolas e locais de culto judaicos, há 5 mil policiais mobilizados. Desde 2005, o alerta máximo não era mantido por tanto tempo.

A mobilização de 10 mil militares do Exército, que se juntaram ao patrulhamento em 830 pontos de grandes cidades francesas, por exemplo, custa ao Estado € 1 milhão por dia, segundo cálculos revelados pelo ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian.

"Todas as decisões anunciadas têm a ver com a luta contra o terrorismo. Os gendarmes (policiais militares) a mais, os policiais a mais, a presença do Exército, muito importante em todo o território, as despesas para desenvolver o serviço cívico", enumerou Michel Sapin à rádio RTL. "Tudo isso representa € 940 milhões."

"É preciso dizer a verdade aos franceses: será necessário se habituar a viver com essa ameaça terrorista", afirmou o premiê francês, Manuel Valls, há duas semanas. Isso representa financiar 122 mil policiais civis e militares, além dos soldados, por tempo indeterminado. "Esse nível de alerta de atentado tinha sido previsto para durar três ou quatro semanas no máximo, mas ainda está em vigor quase dois meses depois", lembrou o deputado franco-brasileiro Eduardo Rihan Cypel, um dos porta-vozes do Partido Socialista (PS) e membro da Comissão de Defesa Nacional e das Forças Armadas. "Não podemos jogar com a segurança de nossos concidadãos."

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