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Reforço no Afeganistão divide até os democratas

Secretário de Defesa anuncia que pedirá envio extra de 3 mil soldados

Eric Schmitt e David E. Sanger, The New York Times, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

O senador democrata Carl Levin, que preside a Comissão de Serviços Armados no Congresso, declarou na quinta-feira ser contra o envio de mais soldados para o Afeganistão enquanto o treinamento e o equipamento de forças afegãs não forem acelerados. Sua posição mostra o crescente ceticismo enfrentado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em seu partido, no momento em que a Casa Branca tem de decidir se envolve-se ainda mais em uma guerra que vem perdendo apoio público. Ontem, segundo a TV CNN, o secretário de Defesa, Robert Gates, anunciou que pedirá o envio de mais 3 mil soldados ao país.

Os comentários de Levin são importantes porque podem influenciar outros senadores. Além disso, ele ocupa uma posição-chave na comissão, o que lhe permite vetar decisões do presidente sobre as tropas. Para piorar, a líder dos democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, disse na quinta-feira que Obama enfrentará forte oposição no Congresso se quiser atender ao pedido de mais tropas feito pelo general Stanley McChrystal, principal comandante dos EUA e da Otan no Afeganistão.

"Não acho que há muito apoio para o envio de mais soldados", disse Nancy, acrescentando que estava ansiosa para ler um relatório da Casa Branca - que será apresentado em duas semanas - sobre os parâmetros para medir o sucesso da estratégia dos EUA no conflito afegão.

A decisão final sobre os reforços à luta no Afeganistão pode demorar. O Pentágono afirma que precisa fazer um exame completo sobre a eficácia do último envio de tropas, quando a presença americana no país subiu de 18 mil para 68 mil soldados - um aumento até então sem precedentes. A Casa Branca também está analisando uma avaliação estratégica da missão afegã apresentada pelo general McChrystal.

A demora na decisão de enviar mais soldados para o Afeganistão tem a vantagem política de adiar uma possível divisão do Partido Democrata no momento em que Obama tenta reunir votos para a aprovação da reforma do sistema de saúde do país.

Levin, que retornou de uma viagem ao Afeganistão na semana passada, disse que o número de soldados do Exército afegão deve subir de 134 mil - meta de 2010 - para 240 mil, em 2012. O número de policiais deve crescer, segundo ele, de 97 mil para 160 mil no mesmo período. Trata-se de uma meta coerente com os planos do general McChrystal, mas que terá de ser atingida um ano antes do planejado, segundo o senador.

Levin reconheceu que mais instrutores americanos serão necessários para se alcançar esse objetivo, mas não disse quantos. Na última mobilização, dos 21 mil soldados americanos convocados para ir ao Afeganistão, 4 mil eram instrutores. A última leva dessa força militar, porém, só pisará em solo afegão depois de novembro.

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