Reforço para Afeganistão será maior

Plano que Obama anuncia hoje incluirá outros 4 mil soldados para juntar-se aos 17 mil prometidos no início do ano

AP e NYT, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, planeja enviar mais 4 mil soldados e centenas de assessores civis para ajudar a reverter a difícil guerra no Afeganistão, disseram assessores, que pediram anonimato. O contingente se somará aos 17 mil homens extra, cujo envio foi anunciado no início do ano, e aos 38 mil que já atuam em território afegão. No total, serão quase 60 mil americanos lutando no Afeganistão até o fim do ano. Na estratégia que deve ser detalhada hoje, Obama também recomendará um aumento substancial na ajuda destinada ao vizinho Paquistão, desde que seus líderes se dediquem a confrontar os insurgentes. O projeto inclui 20 recomendações para o combate a uma insurgência persistente que se espalha pela fronteira entre os dois países. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, não quis discutir ontem os detalhes da estratégia, mas informou que Obama havia começado a debater o plano com congressistas. Em termos gerais, Obama definirá como objetivo principal a eliminação da ameaça representada pela Al-Qaeda, que se propõe a sabotar ou depôr governos eleitos apoiados pelos EUA e a lançar ataques contra o país e seus aliados. O novo plano identifica a Al-Qaeda como centro de uma rede mais ampla de insurgentes que ameaça as forças americanas e aliadas no Afeganistão, frequentemente a partir de esconderijos no Paquistão. O plano de Obama fixará, pela primeira vez, metas para o progresso no combate à Al-Qaeda e ao Taleban no Afeganistão e Paquistão. Ao impor condições aos afegãos e paquistaneses, Obama está copiando a estratégia usada no Iraque dois anos atrás, na esperança de justificar um maior compromisso americano e pressionar os governos na região a ter maior responsabilidade pelas missões políticas, militares e econômicas. "A era dos cheques em branco acabou", disse Obama aos líderes do Congresso, segundo um funcionário americano. Os 4 mil soldados adicionais se dedicarão a treinar e assessorar as Forças Armadas afegãs. As tropas chegariam ao Afeganistão no segundo semestre, somando-se ao contingente de 17 mil soldados de combate e apoio que Obama enviará até o meio do ano. A nova estratégia deverá elevar em 60% os gastos no Afeganistão, atualmente de US$ 2 bilhões anuais.Os EUA pretendem levar também centenas de assessores civis para reforçar as equipes que já se encontram no Afeganistão. Será uma versão afegã e civil da medida que resultou numa rápida redução da violência no Iraque. Essas equipes vão se concentrar em melhorar os serviços oferecidos pelo governo e a vida dos afegãos comuns. Entre os enviados estão agrônomos, necessários num país onde predomina a agricultura de subsistência. O plano destaca que o principal general americano no Afeganistão ainda solicita outros 10 mil ou 11 mil soldados adicionais para o ano que vem. A decisão seria tomada no final do ano. O projeto também apoia o aumento da ajuda ao Paquistão, condicionada à verificação de melhoras no modo como o governo lida com os militantes. O plano aumentaria em três vezes a ajuda humanitária oferecida ao país, totalizando US$ 1,5 bilhão anual por cinco anos. Para receber o valor, o Paquistão também deve cortar os laços entre os insurgentes e membros o governo paquistanês.RECOMENDAÇÕES Al-Qaeda: A nova estratégia definirá como objetivo principal dos EUA na região a eliminação da ameaça apresentada pela rede terrorista. O plano identifica a Al-Qaeda como centro de uma rede ampla de insurgentes que ameaça as forças de segurança no Afeganistão, frequentemente a partir do Paquistão Soldados: Reforço militar que chegará ao país se dedicará ao treinamento dos militares afegãos Reforço civil: EUA pretendem acrescentar centenas de assessores civis àqueles que já estão no Afeganistão para se concentrar na melhoria da vida da população Auxílio: Plano apoia o aumento da ajuda financeira dedicada ao Paquistão, condicionada à verificação de melhorias na maneira com que Islamabad lida com os militantes da região fronteiriça. A proposta aumentaria em três vezes a ajuda humanitária oferecida ao país, totalizando US$ 1,5 bilhão anual por cinco anos. O fornecimento de ajuda militar seria vinculado ao desempenho, com a recomendação específica de que o Paquistão corte laços entre os insurgentes e o governo do país

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