Reforma da aposentadoria na França passa na Câmara

O projeto do governo da França de elevar a idade mínima para aposentadoria para controlar o déficit no sistema previdenciário superou um obstáculo hoje, quando foi aprovado pela Assembleia Nacional, equivalente à Câmara dos Deputados.

AE, Agência Estado

15 de setembro de 2010 | 14h03

O plano, impulsionado pela administração do presidente Nicolas Sarkozy, prevê a elevação da idade para aposentadoria de 60 para 62 anos. Agora, a lei segue para o Senado, que deve discuti-la ainda este mês. Os sindicatos prometem seguir lutando contra a lei, considerada por eles "injusta e inaceitável".

Os trabalhadores marcaram protestos e uma greve nacional para o próximo dia 23. O tema é um importante teste para a capacidade de Sarkozy governar a França, no momento em que o presidente enfrenta vários problemas, sobretudo, as críticas ao governo de Paris vindas da União Europeia (UE) pelas deportações de ciganos.

A Assembleia Nacional, onde a União por um Movimento Popular (UMP), partido de Sarkozy, tem a maioria da bancada, aprovou o projeto de lei por 329 votos a 233, em uma sessão tumultuada. Os oposicionistas do Partido Socialista se opuseram ao texto, argumentando que 60 anos deve ser a idade padrão para se aposentar no país.

Eles reclamavam do presidente da Câmara, Bernard Accoyer, acusando-o de sufocar o debate. Accoyer disse que decidiu apressar o voto pois os parlamentares socialistas estariam usando "procedimentos de obstrução" dos trabalhos do Legislativo.

Déficit

Sarkozy tenta controlar o déficit no sistema previdenciário francês, que está pressionado há anos, pois os franceses vivem cada vez mais e, portanto, recebem aposentadorias por mais tempo. O problema aumentou com a recessão do ano passado, que causou uma forte queda na arrecadação de impostos usada para custear as pensões. O déficit previdenciário do país em 2010 pode chegar a 32 bilhões de euros.

Os socialistas afirmam que a recessão foi causada pela crise financeira e, agora, os trabalhadores comuns serão as vítimas. "Não podemos aceitar que as vítimas paguem o preço pela crise", disse Jean-Marc Ayrault, líder do partido na Assembleia Nacional, durante o debate hoje.

Os socialistas defendiam o aumento dos impostos às empresas para equilibrar o sistema previdenciário, mas Sarkozy descartou essa opção, argumentando que a França já tem uma das taxas mais altas nessa área entre as nações industrializadas.

Os sindicatos querem manter a aposentadoria padrão aos 60 anos, uma idade adotada em 1983. Eles dizem que isso representa uma grande vitória social, comparável ao sistema universal de saúde e às férias anuais remuneradas. Após grandes protestos em 7 de setembro, os sindicatos esperam reunir mais de 2 milhões de pessoas nas manifestações nacionais no dia 23. As informações são da Dow Jones.

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