Reforma da polícia, tarefa não concluída pelo chavismo

CENÁRIO: Patricia Clarembaux e

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2014 | 02h03

Ernesto Tovar/ AFP

Máfias profundamente infiltradas, prática de crimes, poucos policiais nas ruas, baixos salários: o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou uma "revolução policial" que inclui uma reforma e limpeza da corporação, tarefa ainda incompleta apesar dos inúmeros planos de segurança implementados pelo chavismo.

Em discurso pronunciado na noite de terça-feira, Maduro prometeu "uma profunda limpeza" do sistema policial da Venezuela, o segundo país mais violento do mundo, com uma taxa de homicídios de 53 mortes para cada 100.000 habitantes de acordo com dados da ONU.

O anúncio do presidente foi feito diante da comoção provocada pelo assassinato, no início de outubro, do jovem deputado chavista Robert Serra e a descoberta, a partir das investigações, de que dois policiais encarregados da sua segurança tinham participado do crime.

O problema da insegurança, ao lado da deterioração da economia, é o que mais preocupa os venezuelanos, e se agravou nos últimos anos apesar dos mais de 20 programas implementados pelo chavismo, no poder desde 1999 - e os opositores acusam ser o principal responsável por essa piora.

No âmbito de uma grande reforma em 2006, foram criados na Venezuela 85 órgãos de segurança, 3 deles nacionais - polícia nacional, científica e de inteligência - e 82 estaduais e municipais.

Na Venezuela o cidadão teme a polícia. São numerosas as notícias de policiais em uniforme que exigem propina para uma simples infração de trânsito. Além disso alguns foram condenados por sequestro e até assassinato, como ocorreu em 2006 com três irmãos e seu chofer, e depois com um empresário ítalo-venezuelano.

Um policial do alto escalão ganha US$ 1.634 dólares pela taxa oficial e US$ 103 no paralelo. A passagem de sete ministros pela pasta da Justiça em 15 anos também não contribui para a "fluidez" das mudanças. Segundo os últimos dados, em 2012 a Venezuela contava com 89.000 agentes da ordem nos diferentes departamentos, três para cada mil habitantes. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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