Reforma da saúde leva Obama a adiar viagem

Nancy Pelosi, que tenta obter apoio necessário, diz que lei será votada na próxima semana

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, adiou sua viagem para Ásia e Oceania por três dias para pressionar o Congresso a aprovar a lei de reforma do sistema de saúde. Obama partiria para Indonésia, Austrália e Guam na quinta-feira. Ele havia pedido ao Congresso que votasse a lei antes de sua partida. Com a data se aproximando, ficou óbvio que o Congresso não conseguiria cumprir o cronograma estabelecido por Obama. Então, o presidente resolveu adiar a saída para o dia 21 e se poupar de mais uma decepção na tramitação da lei que é a prioridade de sua agenda doméstica.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, está tentando alcançar os 216 votos necessários para a aprovar o projeto. E ontem ela afirmou que a legislação deve ser votada no início da semana que vem. "Estou muito feliz que o presidente estará aqui durante a aprovação da lei. Será histórico", disse Nancy.

O plano atual é votar na Câmara a proposta de lei de reforma da saúde que foi aprovada no Senado em dezembro. Uma vez aprovado na Câmara, esse projeto seria assinado pelo presidente Obama e se tornaria lei. Aí, uma outra lei, com ajustes para harmonizar os textos do Senado e da Câmara, passaria pelo Congresso. Essa lei seria parte de uma manobra chamada de reconciliação. Como os democratas perderam a maioria qualificada de 60 votos que tinham no Senado, eles vão apelar para a reconciliação, que permite evitar obstruções dos republicanos e aprovar a lei no Senado com uma maioria simples de 51 votos, desde que a legislação seja relacionada ao orçamento de alguma maneira.

Nancy Pelosi ainda não tinha certeza de ter os 216 votos porque muitos deputados democratas estão temerosos das repercussões que um voto em favor da reforma da saúde possa ter sobre a eleição legislativa em novembro. Outros se opõem à versão do Senado porque ela não contém restrições ao uso da assistência médica para cobrir aborto.

Ao adiar a viagem, o presidente decidiu que não mais vai levar a primeira-dama, Michelle, e suas duas filhas, Malia e Sasha. Segundo assessores da Casa Branca, o adiamento tem como objetivo trazer maior flexibilidade para essa reta final da legislação da saúde e dar mais tempo para Obama convencer deputados céticos. Os deputados haviam se queixado de que a viagem do presidente estava impondo um cronograma muito apertado para a votação da lei. O presidente americano volta a Washington no dia 26.

O adiamento da viagem foi anunciado por twitter pelo porta-voz da presidência, Robert Gibbs, na manhã de ontem.

Já faz um ano que a reforma de saúde está tramitando pelo Congresso. Se não for aprovada, será uma enorme derrota para a agenda doméstica do presidente. Segundo o cronograma, a lei deve ser votada na Câmara dia 19 ou 20 de março. Se não adiasse a viagem, o presidente e grande parte da alta cúpula da Casa Branca não estariam em Washington para presenciar.

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