Reforma democrática falhou, reconhece presidente do Irã

O presidente do Irã, Mohammad Khatami, reconhece que fracassou em implementar seu programa de reformas democráticas, alegando ter cedido à vontade do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, para evitar conflitos nas ruas e preservar o status islâmico. "Se recuei, recuei contra o sistema em que acreditava", disse Khatami a estudantes da Universidade de Teerã, alguns abertamente enfurecidos com o homem que já foi visto como a maior esperança de um Irã democrático. "Achei necessário salvar o establishment governante". Estudante gritavam: "Khatami, Khatami, vergonha!". Outros: "Khatami incompetente, nossos votos não o abençoarão!". A recepção entre os estudantes marca uma mudança drástica para o intelectual que já contou com a admiração sincera de boa parte da população jovem, muitos dos quais carregavam sua fotografia nas carteiras. O Conselho Guardião do Irã, colegiado conservador de clérigos islâmicos que tem o poder de desfazer atos do Parlamento, proibiu muitos políticos reformistas de concorrer às eleições de fevereiro. Desde então, Khatami passou a ser visto como um líder ineficiente e submisso. Ele diz que optou por manter as eleições para evitar violência nas ruas. "Ou tínhamos eleições ou teríamos violência", disse ele.O mandato de Khatami termina em junho de 2005. Ele disse que espera ansioso pelo final de seu termo. "Felizmente, meu mandato chega ao fim", afirmou. O presidente insistiu que a democracia só chegará ao Irã por meio do islamismo: "A única maneira de salvar este país é estabelecer a democracia", disse. "O caminho para a democracia é através e por dentro da República Islâmica".

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