Reforma do canal não favorece Buenos Aires

Modernização tornaria o porto de Montevidéu mais competitivo e poderia tirar negócios da capital argentina

Lisandra Paraguassu, de Brasília,

09 de setembro de 2012 | 01h18

BRASÍLIA - A briga entre Argentina e Uruguai pela dragagem do canal Martín García, no Rio da Prata, cresceu em maio, quando o embaixador uruguaio, Julio Baráibar, denunciou a tentativa de suborno por parte da empresa Riovia, responsável pela manutenção do canal desde 1991. Com o contrato por vencer, ela teria oferecido propina a dirigentes da Comissão Administradora do Rio da Prata (Carp) para ser mantida na licitação aberta pelos argentinos.

 

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A denúncia fez a Argentina cancelar de vez o processo, o que causou uma troca de acusações entre as chancelarias, a ponto de o presidente uruguaio, José Mujica, declarar que o país não trataria mais do assunto até que a Argentina resolvesse a questão - o que não ocorreu até agora.

 

O ponto principal de toda a discórdia é a necessidade do Uruguai de aumentar o calado do canal para facilitar o acesso de grandes navios ao porto de Montevidéu. Responsável pela obra, a Argentina não precisa dele, já que aprofundou o Canal Mitre, também no Rio da Prata, para facilitar o acesso ao porto de Buenos Aires.

 

A empresa acusada de suborno é contratada para realizar a manutenção do Martín García desde 1991 e nunca fez um trabalho que agradasse aos uruguaios, que sempre pressionaram para que os argentinos não renovassem o contrato e abrissem uma nova licitação internacional, há dois anos.

 

Para a Argentina, entretanto, não interessa modernizar o canal, o que faria Buenos Aires perder negócios para o porto de Montevidéu. Os uruguaios sabem disso, mas não têm forças para pressionar o vizinho mais rico a cumprir sua parte do acordo na administração do Rio da Prata.

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