Reforma do CS da ONU terá de esperar, dizem EUA

O embaixador americano na ONU (Organização das Nações Unidas), John Bolton, descartou uma reforma do Conselho de Segurança da instituição em um futuro próximo. "Existem muitas propostas para a reforma do Conselho de Segurança, nenhuma das quais nós endossamos e que tampouco obtiveram os dois terços dos votos da Assembléia Geral", disse Bolton em entrevista coletiva na última quinta-feira, em Nova York. Na avaliação do embaixador americano, os recentes debates sobre a reforma do conselho, o órgão mais poderoso da ONU, "sugaram o oxigênio das negociações sobre as outras reformas". "O melhor agora é focar na revisão dos programas administrativos e continuar nossas consultas, particularmente com o Japão, sobre como obter um assento permanente para o país", acrescentou Bolton. Integrante do chamado Grupo dos Quatro, juntamente com a Alemanha, Índia e Japão, o Brasil não conta com o apoio dos Estados Unidos para a vaga. Na última quinta-feira, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, defendeu, durante entrevista coletiva ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vaga permanente para o Brasil no conselho. Em seu estágio inicial, a reforma do Conselho requer a aprovação de dois terços dos 191 estados membros das Nações Unidas, que compõem a Assembléia Geral. Reforma administrativa O embaixador americano disse que o governo de seu país apóia os principais pontos da proposta feita pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na última terça-feira, através do documento "Investindo nas Nações Unidas". Além de propor o corte de custos e remanejamento de pessoal e a terceirização de serviços como a tradução de textos para países com mão-de-obra barata, o documento propõe auditorias permanentes sobre as operações da ONU. "Nosso objetivo é melhorar o sistema de prestação de contas da ONU, aumentando sua efetividade e relevância no mundo moderno", disse Bolton. Um dos pontos mais polêmicos da reforma da ONU é a substituição da atual Comissão de Direitos Humanos, que hoje tem entre os seus membros regimes autoritários como Cuba e Zimbábue, por um Conselho de Direitos Humanos. Annan propõe que, para que sejam eleitos para o novo Conselho dos Direitos Humanos, os novos membros precisem obter os dois terços dos votos da Assembléia Geral. "Nós endossamos esta proposta, a União Européia endossa, mas alguns países recuaram em seu apoio", disse Bolton. "E eles recuaram em face de oponentes dos direitos humanos nas Nações Unidas, que disseram: nós não podemos aceitar os dois terços."

Agencia Estado,

10 Março 2006 | 15h14

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