Reforma do sistema de saúde dá novo vigor à agenda legislativa de Obama

Reforma do sistema de saúde dá novo vigor à agenda legislativa de Obama

Outros parâmetros. Triunfo de democratas sepulta comparações de presidente americano com a suposta indecisão de Jimmy Carter e promove mudança radical no clima político de Washington, após longos meses de picuinhas partidárias

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

A aprovação da reforma do sistema de saúde inaugura uma nova fase na presidência de Barack Obama. Adeus às comparações com Jimmy Carter, sua fraqueza e indecisão. Bem-vindo Franklin Roosevelt do século 21, aquele que transforma projetos ambiciosos em realidade.

Grande parte dos analistas já vê uma mudança radical no clima político, que vai ajudar Obama a desempacar sua agenda. E a Casa Branca quer aproveitar o embalo: a prioridade legislativa agora é a reforma do sistema financeiro; depois, virá a lei de mudança do clima e, quem sabe, a lei de imigração. "A aprovação da reforma da saúde foi uma conquista importante para Obama, que teve sua capacidade de liderança questionada durante os últimos 12 meses de picuinhas políticas", diz Milena Izmirlieva, analista da IHS Global Insight.

Foi um longo jejum de triunfos políticos para Obama. A aprovação da reforma da saúde foi a primeira vitória de Obama desde a passagem da lei de estímulo à economia, no início de seu mandato, 14 meses atrás. Desde aquela época, Obama vem anunciando uma série de planos grandiosos - que teimam em não sair do papel. Ele teve de adiar o fechamento de Guantánamo, que estava prometido para janeiro. A China humilhou os EUA ao mandar um funcionário de baixo escalão negociar com Obama o acordo em Copenhague.

A aproximação com o Irã não deu em nada. O fundo do poço veio em janeiro, quando democratas perderam a vaga do senador Ted Kennedy em Massachusetts para um republicano desconhecido - e ficaram sem a maioria qualificada no Senado que garantia aprovação facilitada de leis.

Agora, em apenas uma semana, o governo Obama marcou dois gols: a reforma de saúde foi aprovada no domingo e, na sexta-feira, o presidente anunciou um acordo com a Rússia para desarmamento nuclear, um sucessor para o Start. Juntas, as duas conquistas acabaram com a sensação de que Obama falava muito, mas fazia pouco. "A reforma da saúde mudou o clima aqui", disse o senador democrata Chris Dodd, que está liderando a reforma financeira.

"A reforma do sistema financeiro provavelmente será aprovada, ainda que com algumas modificações", disse ao Estado Michael Barone, comentarista conservador que é autor do Almanaque da Política Americana.

Antes da vitória na saúde, as chances da reforma financeira eram muito menores. A lei cria um conselho para detectar e prevenir crises, uma agência para supervisionar cartões de crédito e hipotecas, além de impor limites para derivativos, ou seja, tenta combater várias das causas da atual crise financeira.

Prova superada

MILENA IZMIRLIEVA

ANALISTA DE POLÍTICA

"A aprovação da reforma da saúde foi uma conquista importante para Obama, que teve

sua capacidade de liderança questionada durante os últimos

12 meses de picuinhas políticas"

MICHAEL BARONE

ANALISTA DE POLÍTICA

"A reforma do sistema financeiro provavelmente será aprovada, ainda que com modificações"

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