Reforma em Cuba ignora abertura política

Na véspera do último Natal, dois irmãos de Holguín, no leste de Cuba, foram presos por cantar rap em sua própria casa. O problema não era o volume nem a afinação. Antonio e Marcos Lima Cruz tiveram a casa invadida - primeiro com pedras e ovos atirados pelos vizinhos, depois por policiais - e foram detidos porque entoavam as letras do grupo Los Aldeanes, que falam de coisas como "liberdade de expressão". A história dos Lima Cruz é um dos casos extremos de uma onda de repressão abafada pelos anúncios de seguidas medidas de flexibilização econômica no último ano.

RODRIGO CAVALHEIRO, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

13 de novembro de 2011 | 07h14

Segundo a Comissão Cubana de Direitos Humanos, há 50 presos políticos hoje condenados apenas por opinar e o número de detenções relâmpago atingiu em setembro um recorde em três décadas - 563 pessoas passaram pelo menos algumas horas na prisão, o dobro da média dos oito meses anteriores.

Opositores associam a ofensiva do governo à uma tentativa de desarticular grupos como o das Damas de Blanco. Primeiro porque sua líder, Laura Pollán, morreu em agosto. Segundo, porque o objetivo que tornou movimento conhecido, a libertação dos 75 presos de consciência ligados à Primavera Negra, onda de detenções de março de 2003, foi atingido este ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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