Reforma esquenta debate sobre sucessão

O afastamento de dois dos mais destacados políticos jovens de Cuba deixa mais dúvidas do que nunca quanto a quem conduzirá o país quando os irmãos Castro e seus contemporâneos de cabelos grisalhos morrerem. Os 50 anos da Revolução Cubana: especial traz vídeo, fotos, análiseO presidente Raúl Castro está com 77 anos. Seu braço direito, escolhido a dedo, José Ramón Ventura, tem um ano menos. E não há sucessores óbvios da próxima geração entre os funcionários - na maior parte obscuros - do Partido Comunista, entre os militares e os burocratas que repentinamente foram promovidos esta semana na maior reformulação no alto escalão da cúpula cubana em décadas. Vários dos possíveis herdeiros dos irmãos Castro foram postos de lado, morreram ou ficaram velhos demais para serem algo mais do que líderes tapa-buraco. As duas possibilidades mais recentes eram justamente os que foram afastados - o chanceler Felipe Pérez Roque, de 43 anos, e o vice-presidente Carlos Lage, de 57. "Um congresso do Partido Comunista a realizar-se este ano poderá trazer à luz futuros sucessores - talvez entre os militares cubanos -, mas, por enquanto, a saída de Lage deixa Cuba sem um claro candidato futuro à presidência", afirmou o economista e dissidente cubano Oscar Espinosa Chepe. O fortalecimento do Exército no alto escalão do governo eleva o cacife do general Ulises Rosales del Toro, de 67 anos. Ex-ministro do Açúcar, Del Toro assumiu em novembro o posto vacante de ministro da Agricultura. Embora seja bem conhecidos dos cubanos, Del Toro é comedido o bastante para evitar a ira de Castro por ser muito ambicioso. Para o sociólogo Jaime Suchlicki, da Universidade de Miami, outra figura a se observar é Ramiro Váldez, de 76 anos, um radical que poderia ser uma eventual solução de compromisso entre o Exército e seus líderes revolucionários - civil, ele lutou ao lado dos irmãos Castro e Che Guevara na Revolução de 1959 e detém o título honorário de "comandante". Valdez foi sondado para substituir Rivero Torres na vice-presidência de Gabinete, na segunda-feira. A escritora Anna Maria Bardach acha que uma alternativa para a presidência pode ser o filho de Raúl Castro, Alejandro, conselheiro do pai e funcionário do Ministério do Interior. "Se tivesse que apostar, seria na família de Raúl", disse ela.

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