''Reforma levará o caos a Cuba'', alerta jornalista

Atualmente, exercer qualquer tipo de atividade profissional que não esteja autorizada pelo Estado é crime em Cuba. No ano passado, o governo permitiu o duplo emprego, acumulado com a função exercida no setor público. Neste ano, Raúl Castro autorizou a abertura de pequenos negócios. Depois do próximo Congresso do Partido Comunista Cubano, marcado para abril, cerca de 170 atividades estarão autorizadas na ilha.

, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

Mas, segundo o escritor americano Patrick Symmes, por causa do anúncio das demissões de 500 mil funcionários de Havana, que emprega 85% da população da ilha, a sociedade cubana encara atualmente uma elevação na criminalidade "real". "O crime está crescendo e acho que qualquer mudança na maneira de governar levar á certo caos, por causa da chegada das drogas, do dinheiro do tráfico e de armas da Flórida, além de uma quebra de confiança (dos cubanos no regime). O racismo que tem sido encoberto há décadas, deverá se incendiar. Os cubanos vão sofrer."

Symmes disse que contou com a solidariedade de cubanos e ganhou alguns pratos de comida em sua viagem sem ter de fazer nenhum serviço. "Mas notei que a generosidade se expirava rapidamente. Uma refeição, sim; duas, talvez. Nunca ganhei três", afirmou.

O autor explica que, quando termina a cota de comida subsidiada a que têm direito, os cubanos têm de comprar os demais alimentos por pelo menos o dobro do preço original nas "lojas" estatais. Como alternativa, a população pode procurar estabelecimentos que vendem produtos importados com o peso conversível, uma das duas moedas de Cuba, que tem o valor similar ao do dólar. Mas esse tipo de gasto só pode ter quem recebe dinheiro de parentes no exterior ou exerce atividades ilegais.

Entre as medidas que serão debatidas durante o Congresso do Partido Comunista está a "eliminação ordenada" da política de racionamento de alimentos vigente no país. O fornecimento de batatas e tabaco já foi retirado da "livreta", a cartilha que dá preços simbólicos a alimentos como grãos, açúcar, frango, peixe, ovos, arroz, café, azeite, massa e pão, entre outros produtos.

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