Reforma migratória deve aumentar poder hispânico, dizem analistas

A mobilização de mais de um milhão de imigrantes de origem hispânica nos Estados Unidos que desejam uma reforma migratória pode levar a um movimento que aumentaria o poder político da maior minoria do país, afirmam analistas. De costa a costa, em mais de cem cidades em todo território americano, os imigrantes aderiram à mensagem de participação política lançada por religiosos nas igrejas, por sindicalistas nas ruas e pela maior parte dos veículos de comunicação em língua espanhola. Segundo cálculos, mais de um milhão de imigrantes, na maior parte hispânicos, participaram das marchas e protestos para exigir que o Congresso aprove uma reforma migratória integral e que não sejam mais tratados mais como criminosos. O objetivo era aumentar a pressão e garantir que quando o Congresso retornar do recesso, no dia 24 de abril, aprove um projeto de lei que considere as contribuições das pessoas provenientes de outros países. Antes da pausa de duas semanas, o Senado anunciou com estardalhaço um acordo para legalizar a situação de grande parte dos imigrantes ilegais, mas o pacto acabou derrubado por uma disputa partidária. Ao participar do protesto em Washington, o senador democrata Edward Kennedy, co-autor de um projeto de lei de reforma migratória, disse aos mais de 100 mil manifestantes reunidos que há mais de quatro décadas o pastor Martin Luther King realizou um ato pela luta pelos direitos civis nos EUA naquele mesmo lugar. Durante as décadas de 1950 e 1960, a comunidade negra protestou de forma pacífica contra o racismo na sociedade americana e exigiu um tratamento justo e digno. Criminalização O elemento que detonou a atual manifestação é o projeto de lei do republicano James Sensenbrenner, aprovado pela Câmara de Representantes em dezembro de 2005 e que, entre outros elementos, considera criminosos todos os imigrantes sem documentos e as pessoas que oferecerem qualquer tipo de ajuda a eles. Na sua história, os Estados Unidos experimentaram diversas ondas xenófobas contra grupos como chineses e irlandeses. No século 21, os imigrantes latinos se organizam para lutar por seus direitos, afirmam analistas. "É um momento decisivo para a comunidade imigrante, porque os protestos deram voz aos que até agora não tinham se pronunciado neste debate", declarou Harry Pachón, presidente do Instituto de Política Tomás Rivera, de Los Angeles (Califórnia). "Até agora só tinham sido escutadas as vozes de conservadores como Lou Dobbs (apresentador da rede CNN) e como o deputado republicano Tom Tancredo", disse o analista. Voto latino Os hispânicos são mais de 40 milhões de pessoas nos EUA e representam cerca de 8% do eleitorado. Seu impacto nas urnas no dia sete de novembro - quando será renovada toda a Câmara Baixa e um terço do Senado - dependerá do sucesso das campanhas para a inscrição de mais eleitores, declarou, Tancredo Para Michael Kazin, especialista em movimentos sociais da Universidade Georgetown, os protestos de segunda-feira mostram que "os imigrantes estão perdendo o medo e estão reagindo às forças contrárias do Partido Republicano". "Todo movimento precisa de uma causa e os imigrantes estão respondendo a um sentimento de opressão por seu status migratório. Embora o apoio tenha sido impressionante, seu verdadeiro efeito ainda será visto", concluiu o pesquisador.

Agencia Estado,

11 Abril 2006 | 19h55

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