Stefan and Bernhard Marte
Stefan and Bernhard Marte

Reforma na casa natal de Hitler eliminará toda referência ao nazismo

Arquitetos farão modificações mínimas no edifício; objetivo do governo é impedir que local se torne um ponto de peregrinação neonazista 

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 16h58

VIENA - O projeto eleito pelo governo da Áustria para remodelar a casa onde nasceu Adolf Hitler e transformá-la em uma delegacia de polícia, como anunciado em novembro, eliminará qualquer referência ao nazismo. Objetivo é neutralizar e evitar que o edifício se transforme em um local de peregrinação neonazista. 

A empresa de arquitetura austríaca Marte.Marte venceu a licitação europeia para transformar o edifício graças à sua abordagem "aparentemente minimalista", explicou o presidente do júri que escolheu o projeto, Robert Wimmer, em uma entrevista coletiva nesta terça-feira, 2. "A simplicidade deste projeto nos convenceu."

O governo austríaco travou uma dura batalha judicial para garantir a propriedade desta casa localizada no norte do país, a fim de impedir que o local onde Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 se tornasse um ponto de peregrinação neonazista. 

O edifício de 800 m2, localizado no centro de Braunau-am-Inn, na fronteira com a Alemanha, será ampliado e equipado com um novo telhado.

"Confiar o prédio à polícia é a melhor coisa a fazer para neutralizá-lo", considerou o chefe do projeto, Hermann Feiner.

Várias possibilidades foram consideradas sobre o futuro do edifício, incluindo sua demolição ou uma transformação radical de sua arquitetura. 

As obras custarão € 5 milhões (US$ 5,6 milhões) financiadas pelo Estado e serão concluídas no início de 2023. 

"Será um novo capítulo, orientado para o futuro, sobre o local de nascimento de um ditador e um assassino em massa", disse o ministro do Interior da Áustria, Karl Nehammer.

Após um longo processo, a Áustria tornou-se definitivamente proprietária dessa casa em 2019, depois de ter sido arrendador por mais de 40 anos. Foi necessário um processo de desapropriação.

A Áustria, anexada pela Alemanha em 1938, manteve por muito tempo uma relação complexa com esse período histórico.

Após a 2ª Guerra, seus governos a apresentaram como "a primeira vítima do nazismo", negando a cumplicidade de muitos austríacos nos crimes do Terceiro Reich. Um olhar crítico começou a se estabelecer em meados dos anos 80./AFP e EFE

 

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