Reforma política tímida possibilitou volta do PRI ao poder

Análise: Alina Rocha / Foreign Policy

É PESQUISADORA DO OVERSEAS DEVELOPMENT , INSTITUTE, DE LONDRES, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h04

O governo fracassado do presidente Felipe Calderón teve muito a ver com a guerra às drogas, que criou uma onda de violência e insegurança sem precedente no México. Esse mandato presidencial ofereceu pouca coisa além da retórica sobre como, sob a liderança de Calderón, o México foi pouco afligido pela recessão global iniciada em 2008. Sim, a economia mexicana recuperou-se e a classe média continuou a crescer. Mas o México cresceu mais lentamente que outros países emergentes na América Latina, em especial o Brasil e a Colômbia, apesar da alta recorde nos preços do petróleo.

Mas isso é somente uma parte da história. Os problemas que afligem a incipiente democracia mexicana são muito mais profundos. O maior desafio do México continua ser as patologias institucionais embutidas no sistema político, muitas delas herdadas do regime de partido único do PRI e ainda não reformadas. Calderón realizou espantosamente pouco no sentido das reformas necessárias durante seus seis anos de mandato. Mas se esses problemas não forem enfrentados, o progresso em todas as outras áreas será inútil.

O destino de boa parte da agenda legislativa do presidente, que foi adiada, bloqueada ou diluída a ponto de se tornar irreconhecível, é um claro lembrete disso. Houve poucos progressos também na promoção de reformas estruturais dentro da petrolífera estatal Pemex e os grandes monopólios nacionais fundamentais na promoção do crescimento. As tentativas de mudar o sistema político renderam pouco mais que uma limitada reforma eleitoral que parece fortalecer ainda mais os partidos políticos. O arcabouço institucional criado pelo PRI acarretou algumas dinâmicas disfuncionais. O princípio segundo o qual o "vencedor leva tudo" que embasa o antigo sistema continua a ser a força motriz da política mexicana. Os três maiores partidos políticos - PAN, PRI e PRD -são consumidos pela política eleitoral e a necessidade de vencer a disputa seguinte (seja municipal, estadual ou nacional) acima e além de qualquer preocupação com os interesses nacionais.

Isso provocou uma dinâmica ferozmente competitiva e com frequência cáustica entre eles. E, por conseguinte, os três partidos não conseguiram desenvolver nenhum tipo de acordo básico sobre como podem trabalhar juntos para enfrentar os múltiplos desafios com que o México se depara. As divisões entre os partidos não são, na maioria das vezes, nem sequer ideológicas, mas têm base em queixas e recriminações mesquinhas e no desejo de assegurar que o outro lado perca por maior que seja o custo disso. Sua recusa em colaborar entre si e construir um consenso tem mantido o México num estado de paralisia governamental.

Os partidos podem seguir com esse comportamento em grande parte porque não há nenhum mecanismo para a reeleição, outro legado do regime autoritário. Como os políticos dependem mais dos chefes partidários do que dos eleitores para seu futuro político, eles tendem a ser muito mais obedientes a seu partido do que a seu eleitorado. Entre outras coisas, isso dificulta a construção de coalizões entre partidos no Congresso, porque os parlamentares têm maior incentivo para se conformar à linha do partido. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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