Reforma será votada nas 'próximas horas', diz ministro francês

Oposição promete manter protestos; manifestantes continuam bloqueando refinarias

BBC

22 de outubro de 2010 | 09h03

PARIS - O ministro do Trabalho da França, Eric Woerth, disse no início da tarde desta sexta-feira, 22, (no horário local) que a polêmica reforma da Previdência será votada "nas próximas horas" pelo Senado, após o governo ter utilizado na quinta-feira o dispositivo constitucional do "voto único", que permite acelerar as discussões do projeto de lei.

 

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O dispositivo permitiu a votação sumária, sem discussão, de cada uma das mais de 400 emendas apresentadas pela oposição. Na manhã desta sexta-feira ainda restavam cerca de 90 emendas para serem votadas. Se passar pelo Senado, o governo terá conseguido, na prática, a aprovação da reforma.

Nos próximos dias, uma comissão mista de deputados e senadores se reunirá para debater um texto definitivo. "O voto final ocorrerá na próxima semana, entre terça e quinta-feira", disse Woerth nesta sexta-feira.

Protestos

O governo espera que a votação da polêmica reforma nesta sexta pelo Senado reduza as greves e bloqueios de estradas, portos e depósitos de combustível, além de ações de violência nas ruas que vêm ocorrendo em todo o país nos últimos dias.

Mas, depois de uma reunião na quinta-feira, os sindicatos já convocaram dois novos dias de greves e manifestações em 28 de outubro e 6 de novembro, após o período de férias escolares que começa neste final de semana.

Os franceses protestam contra o aumento da idade para aposentadoria de 60 para 62 anos. A reforma prevê ainda a ampliação da idade para ter direito à aposentadoria integral de 65 para 67 anos, no caso dos trabalhadores que não atingiram o tempo de contribuição exigido, que é atualmente de 40,5 anos.

Na manhã desta sexta, a tropa de choque da polícia desbloqueou a refinaria de Grandpuits, nos arredores de Paris, uma filial do grupo Total. Houve tumulto e três manifestantes ficaram feridos.

O secretário de Segurança Pública da região ordenou por decreto que funcionários em greve na refinaria retornassem ao trabalho. O sindicato CGT denunciou o que chamou de "entrave ao direito constitucional de greve".

As doze refinarias da França continuam paralisadas. Na quinta-feira, o governo anunciou que houve "leve melhora" na distribuição de gasolina e diesel no país.

Segundo as autoridades, dez depósitos de combustível, de um total de 93 considerados estratégicos, continuavam bloqueados na quinta-feira. Cerca de 20% dos depósitos ainda enfrentam problemas de distribuição de combustível, informou o governo nesta sexta-feira.

Isso irá afetar as férias escolares que começam neste final de semana. Muitos franceses desistiram de viajar por esse motivo, embora o governo assegure que não faltará mais combustível no período.

Em duas regiões francesas, Eure e Seine-Maritime, as autoridades impuseram na quinta-feira um racionamento de gasolina aos motoristas, limitando o consumo a 20 litros por carro.

 

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Em Toulouse, no sudoeste da França, 200 manifestantes tentaram bloquear um depósito da Total, mas foram expulsos pela polícia, que utilizou gás lacrimogênio.

 

As tentativas de bloqueio de estradas e depósitos de combustíveis, reprimidas pela polícia, continuam nesta sexta-feira. Em seguida, eles levantaram barreiras em uma estrada próxima. As empresas do setor de transportes prevêem melhora da circulação nesta sexta-feira.

 

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