LEONARDO MUÑOZ/EFE
LEONARDO MUÑOZ/EFE

Reformas travam um ano após morte de Fidel

Mudanças econômicas e sociais prometidas por Raúl não avançam e crescimento deve ficar em 0,5%

O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2017 | 21h43

HAVANA - A morte do ex-presidente cubano Fidel Castro completa um ano neste sábado. As celebrações em memória do líder revolucionário deverão ser discretas, em uma Cuba prestes a passar por um processo eleitoral que culminará na nomeação de um novo presidente, envolvida em uma conjuntura de recessão e estancamento de reformas, além da renovada hostilidade com os EUA.

Na avaliação do economista cubano Pavel Vidal, que atuou no Banco Central de Cuba e no Centro de Estudos da Economia Cubana, as reformas econômicas e sociais iniciadas pelo presidente Raúl Castro em 2010 “acabaram sendo graduais e irregulares demais”.

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Em agosto, por exemplo, foi suspensa a emissão de licenças para o trabalho autônomo em mais de 20 atividades – e alguns tipos de autorização foram eliminadas.

Em julho, Havana ajustou sua previsão de crescimento de 2% para 1%. Mas, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Cuba deverá crescer 0,5% – e alguns economistas preveem taxas negativas. 

O ex-diplomata cubano Carlos Alzugaray ressaltou que houve “atrasos” em metas estipuladas pelo governo: descentralização estatal, maior abertura ao setor privado e unificação monetária – em Cuba, há duas moedas, o desvalorizado peso cubano (CUP), usado para pagar a maioria dos salários no país, e o peso conversível (CUC), que tem o valor equivalente ao dólar e serve para comprar mercadorias não subsidiadas.

Na política, segundo Alzugaray, prevalece “a velha mentalidade”. Ao assumir o segundo mandato, em 2013, que termina em fevereiro, Raúl anunciou que seria seu último período no poder. A expectativa é que o primeiro-vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, de 57 anos, o suceda – o que confirma a prevalência da antiga política.

Paralelamente, a ascensão de Donald Trump à presidência dos EUA fez piorar as relações de Havana com Washington.

Homenagens. Em Havana, e em Santiago de Cuba, no leste da ilha, onde as cinzas do ex-presidente estão depositadas, estão previstas atividades culturais e políticas que não foram programadas para alterar o cotidiano das cidades. Cartazes em homenagem ao líder foram espalhados pelo país. / AFP

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