Reformista deve ser o próximo premiê japonês

O reformista Junichiro Koizumi deverá converter-se no próximo primeiro-ministro do Japão após ser amplamente apoiado nesta segunda-feira na votação das assembléias locais do governista Partido Liberal Democrático (PLD) e de conseguir o respaldo de um rival. Shizuka Kamei disse nesta segunda que se retirava da disputa para apoiar Koizumi, o que virtualmente assegurava a vitória do reformista dentro do PLD na véspera da última etapa da disputa pela chefia de governo. Koizumi obteve 123 dos 141 votos dos delegados locais para a presidência do PLD. Seu principal rival, o ex-primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto, ficou em um distante segundo lugar com apenas 15 votos. Koizumi deverá sair vitorioso na segunda fase da disputa, quando os 346 legisladores de seu partido escolherão o presidente do PLD amanhã.Para ganhar a presidência do partido são necessários 487 votos (somando-se os dos legisladores e os dos delegados do partido). Se nenhum candidato conseguir obter esse número, haverá um segundo turno ainda nesta terça-feira entre os dois mais votados. Contudo, segundo analistas, com o respaldo de Kamei e dos 55 membros de sua facção legislativa, Koizumi deverá ter assegurada uma maioria de 487 votos. A facção de Hashimoto é a mais numerosa do PLD. No entanto, até mesmo seu principal negociador de alianças praticamente admitiu a derrota. "Deveríamos esforçar-nos para garantir que as políticas de Hashimoto sejam refletidas nas do novo líder", disse Hiromu Nonaka, em um indício de que seu candidato não seria o vencedor da disputa. Como líder da coalizão tripartite governante, o ganhador da disputa interna no PLD deve converter-se no substituto de Yoshiro Mori, que está deixando a chefia de governo como o primeiro-ministro mais impopular que o Japão já teve.O governo de Mori, há apenas um ano no poder, foi marcado por várias gafes e escândalos de corrupção. Koizumi prometeu nesta segunda-feira que quando estiver no poder não abandonará sua plataforma reformista. Sua popularidade dá uma idéia da profunda insatisfação dos japoneses com a incapacidade do partido governista para tirar o país de sua pior e mais prolongada depressão econômica desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Koizumi também foi beneficiado com a aversão pública a Hashimoto, considerado culpado por muitos japoneses da queda da economia quando foi primeiro-ministro entre 1996 e 1998.Hashimoto esforçou-se para convencer o público de que merecia outra oportunidade, mas evidentemente os delegados regionais não foram cooptados por suas palavras.

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