Reprodução / CNN
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Refugiada síria de 115 anos vive em acampamento na Grécia e sonha em reencontrar família

All Eida Karmi não pode andar e só conseguiu sair da Síria graças a velhos conhecidos de sua família; grupo seguiu de Hasaka para Kobani, depois para a Turquia e finalmente chegaram ao território grego, em uma viagem que levou cerca de seis meses

O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2016 | 12h17

LESBOS, GRÉCIA - Como qualquer avó, All Eida Karmi quer ver sua família. Mas ela não é uma avó qualquer. Ela é uma refugiada síria de 115 anos.

A Síria não existia quando ela nasceu e, ao longo de sua vida, já viu duas guerras mundiais e a queda do Império Otomano. Após escapar de sua cidade-natal, que estava em guerra, All Eida hoje vive em um campo de refugiados na Grécia, a centenas de milhares de quilômetros de sua família, que mora na Alemanha, segundo informações da emissora CNN. “A única coisa que eu preciso na vida agora é ver meus filhos de novo”, conta.

All Eida chegou ao acampamento de Moria há cerca de um mês, graças à bondade de velhos conhecidos de sua família. Ahmed e sua mulher, Berivan, ajudaram a refugiada a chegar à Europa. Ele viajou de Kobani para Hasaka - cidade de All Eida -, no nordeste da Síria, ajudando-a a sair do país há seis meses.

A refugiada descreve que não podia andar e que Ahmed a carregou e cuidou dela durante todo o trajeto de Kobani à Turquia, que levou três meses. Para chegar à Grécia levou mais um mês, segundo ele.

Ahmed explicou que ambos tentaram cruzar a fronteira ao norte do país, mas autoridades gregas se recusaram a permitir a entrada deles e os enviaram de volta. Ele disse que pagou alguns contrabandistas e arriscou pegar uma via mais curta, porém perigosa, pelo mar.

All Eida e sua família são apenas 7 das mais de 94 mil pessoas, segundo as estatísticas mais recentes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que conseguiram sobreviver à perigosa travessia marítima. O acampamento de Moria hoje é o lar de cerca de 4 mil imigrantes, de acordo com estimativas do governo grego.

Futuro. All Eida está muito perto de sua família, que agora está na Alemanha, depois de terem deixado a Síria há cinco anos e meio. Na época, a guerra civil no país entrava em seu segundo ano, mas a refugiada ainda não estava disposta a deixar sua casa.

A próxima parada da imigrante é Atenas, onde ela espera conseguir asilo no território alemão graças ao programa de reunificação familiar da União Europeia, e reencontrar seus filhos e netos.

Veja abaixo: Assista trecho do documentário 'Quando Eu Era Você'

Já Ahmed não teve a mesma sorte. Ele queria levar sua família para a Áustria, mas não tinha um plano certo. O sírio não poderá seguir viagem com All Eida pois um erro em seus documentos o impede de ir em frente. “Vendemos tudo o que tínhamos para estarmos seguros, e agora estamos nessa situação ruim”, lamenta.

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