Reprodução / Facebook
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Refugiado nigeriano é morto na Itália após defender mulher de uma agressão verbal racista

Agressor chamou mulher de Emmanuel Chidi Namdi de ‘macaca africana’ e atacou imigrante quando este tentou defendê-la. Casal havia fugido da Nigéria após ameaças do grupo Boko Haram

O Estado de S.Paulo

07 Julho 2016 | 13h02

ROMA - Um refugiado da Nigéria morreu na noite de quarta-feira após receber vários golpes em um ataque motivado por racismo na Itália. Emmanuel Chidi Namdi, de 36 anos, estava alojado em uma instituição diocesana de Fermo, pequena cidade no centro do país, e foi atacado por um torcedor violento de um time de futebol local após este insultar sua mulher.

A vítima foi levada para um hospital, mas morreu em consequência dos ferimentos. Segundo a imprensa local, o suposto assassino - identificado como Amedeo Mancini, 35 anos - havia ofendido a companheira de Namdi chamando-a de “macaca africana”. Ao tentar defendê-la, o nigeriano foi ferido. Os promotores da cidade abriram uma investigação para apurar o caso.

Namdi e sua mulher chegaram ao país em novembro, após terem fugido da Nigéria depois de receberem ameaças de membros do grupo Boko Haram contra minorias cristãs do país.

Segundo o jornal britânico The Guardian, Mancini foi preso e já havia sido descrito como um torcedor de futebol extremista. O advogado do agressor, Francesco De Minicis, disse à agência de notícias Ansa que seu cliente não tinha intenção de matar Namdi. “Amedeo Mancini está sofrendo muito. Ele não queria matar.”

Namdi e sua mulher foram acolhidos em Fermo enquanto buscavam asilo no território italiano. Acredita-se que eles tenham atravessado Níger e Líbia antes de embarcarem para a Itália.

Segundo o padre Vinicio Albanesi, que estava abrigando o casal, eles já haviam perdido uma filha de dois anos. Além disso, a mulher de Namdi havia sofrido um abordo espontâneo quando estava a caminho da Itália.

O crime chocou o país. O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, demonstrou solidariedade ao caso e escreveu em sua conta no Twitter: “Hoje o governo está em Fermo com o padre Vinicio e as instituições locais em memória de Emmanuel. Contra o ódio, o racismo e a violência.” /EFE

 

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