Hassene Dridi/AP
Hassene Dridi/AP

Refugiados começam a voltar à Líbia

Quase a metade das 15 mil pessoas que buscaram refúgio na região do sul da Tunísia já iniciaram retorno às cidades do oeste líbio

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / ZARZIS, TUNÍSIA - Cinco meses após o início da onda de exílio que levou centenas de milhares de líbios a buscar refúgio na Tunísia, o fluxo agora se reverteu. Movidos pelo avanço dos rebeldes no interior do território e pela aparente pacificação de cidades antes cercadas pelo regime, os exilados da revolução deram início ao retorno para suas casas.

 

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Até ontem, cerca de 7 mil refugiados já haviam retornado ao país pelo posto de fronteira de Dehiba-Wazen, no sul da Tunísia, o único parcialmente aberto. Segundo o Crescente Vermelho - a versão muçulmana da organização não governamental Cruz Vermelha -, quase a metade das 15 mil pessoas que buscaram refúgio em cidades como Medenine, Tataouine, Kebili e Douz, no sul tunisiano, já iniciaram o retorno às cidades do oeste da Líbia. Em sua maior parte, esses exilados são provenientes da região montanhosa de Zintan e de Nalut, dois centros urbanos que foram mantidos sob cerco do regime durante meses.

"O retorno maciço dos refugiados líbios a seu país se acelerou desde que os rebeldes entraram em Trípoli", afirmou à agência EFE Monji Slim, presidente do Crescente Vermelho na região. "Desde as primeiras horas da manhã de hoje (ontem), o êxodo de líbios para a zona montanhosa do outro lado da fronteira se incrementou." Segundo o médico, o retorno também tem relação com o fim do mês do Ramadã, celebrado no mundo muçulmano.

Contramão. Por outro lado, só nas últimas 24 horas 2 mil novos refugiados teriam deixado a região costeira, onde se situam cidades como Zawiya e Sabratha, dominadas nos últimos dias pelos revoltosos.

Em Ras Ajdir, o principal ponto de ligação entre os dois países, o fluxo voltou a ser fechado pelas forças leais ao regime, que continuam a postos. Em lugar do pessoal administrativo, o governo tunisiano colocou militares no comando para aumentar a segurança em razão dos conflitos que perduram.

Nos últimos dias, o posto de fronteira foi alvo de confrontos entre militares pró-regime de Muamar Kadafi e rebeldes, que tentam sua abertura por razões estratégicas. O controle de Ras Ajdir significa do ponto de vista militar a hegemonia sobre o maior ponto de aprovisionamento do regime, considerado vital para Trípoli.

Por esse posto passa a principal via de ligação entre a capital líbia e Tunis, costeando o Mediterrâneo. Essa região vinha sendo, até a entrada dos rebeldes em Trípoli, o principal foco de disputas com as Forças Armadas leais a Kadafi.

Controle tunisiano. Segundo informações da rádio tunisiana Mosaique, o governo tunisiano também tenta manter o controle do posto com o objetivo de impedir a entrada de milícias e mercenários contratados pelo regime de Kadafi e que estejam em rota de fuga do país. Até a noite de ontem, de acordo com a imprensa tunisiana, apenas pessoas doentes e feridas eram autorizadas a transpor a fronteira entre os países.

No último sábado, o governo provisório da Tunísia - país que também passou por uma revolução em janeiro passado - abandonou sua posição de neutralidade e reconheceu o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão formado em Bengazi para reunir o comando rebelde - como o representante diplomático legítimo da Líbia. / COM EFE

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