Refugiados de Darfur pedem ajuda de forças internacionais

Moradores de Darfurque fugiram de suas casas durante a revolta de 4 anos e meioestão agora pedindo que uma força comandada pela ONU e pelaUnião Africana envie homens rapidamente para protegê-los deataques e permitam seu retorno seguro a suas vilas. Depois de meses de negociações e ameaças, Cartum finalmenteconcordou com o envio de 26 mil homens, que incluirão os mesmos7.000 soldados da União Africana que não conseguiram deter aviolência em Darfur. A missão em conjunto deverá ser enviada até o ano que vem,mas darfurenses dizem que será tarde demais. "Queremos (ossoldados) imediatamente", disse Yahya Osman. Osman perdeu tudo quando fugiu de sua vila, a oeste deNyala, cidade no sul de Darfur, para o Acampamento Otash, ondecerca de 62 mil pessoas buscaram refúgio dos estupros, saques eextermínio. Moradores dizem que a violência continua mesmo ali. "Ontem mesmo meu irmão foi buscar comida para seus filhos efoi seqüestrado", disse Adam Mohammed Ahmed. "Há tiros e saques no acampamento e ninguém, incluindo astropas da UA, reage a esses incidentes." Ahmed chegou a Otash há quase quatro anos, depois de umataque contra sua vila, feito por milícias conhecidas comoJanjaweed. Na ocasião, 24 homens e 6 mulheres foram mortos. "Eles queimaram as nossas casas, forçando-nos a fugir",acrescentou. O líder da missão militar, Rodolphe Adada, visitou Otash nasexta-feira e se encontrou com cerca de 100 líderes tribais emoradores do acampamento. "A Janjaweed seqüestrou 17 membros da minha família há 17dias", disse um homem a Adada, pedindo ajuda ao diplomata. "Sofremos o suficiente. Queremos paz de espírito e isso sóserá possível se as forças internacionais vierem", disse AhmedHirs, outro morador do acampamento. CONSENTIMENTO SUDANÊS Um general do comando do Exército sudanês disse no sábadoque tropas não-africanas não poderão ser enviadas sem oconsentimento do Sudão. "Não há possibilidade para que isso ocorra sem consultas aoSudão", disse Majzoub Rahma à Reuters, depois de uma entrevistaà imprensa ao lado do ministro de Defesa do Sudão. Rahma disse que a força de paz de Darfur "tem de ser umaforça africana", acrescentando que os únicos participantes defora da África até agora aceitos são Egito, China, Paquistão eJordânia. "Eles são amigos", argumentou. Rhama disse que outras forças não-africanas seriamnecessárias apenas "se a UA não conseguir atingir o número deforças exigidas", acrescentando que, mesmo assim, a autorizaçãodo Sudão será necessária. As expectativas com a nova missão são grandes entre osrefugiados: "Queremos que nos ajudem a conquistar nossosdireitos e compensação, e com a segurança de nossas vilas",disse Osman. O governo declarou Darfur segura para que as pessoas voltempara casa e disse que cerca de 45 por cento dos moradores dosacampamentos voltaram, uma cifra que não pôde ser confirmadapor órgãos da ONU. "Eles deram dinheiro para persuadi-los a voltar. Algumaspessoas foram e depois voltaram por causa da falta desegurança", afirmou Osman. Especialistas internacionais dizem que estimadas 200 milpessoas morreram no conflito de Darfur, que deslocou cerca de2,5 milhões de pessoas de suas casas. Cartum afirma que apenas9.000 mil pessoas morreram no conflito.

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