Refugiados do conflito sírio chegam a 200 mil

Segundo a ONU, cerca de 74 mil buscaram abrigo na Turquia, 61 mil na Jordânia, 51 mil no Líbano e 16 mil no Iraque

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h07

A escalada da violência na Síria e os confrontos no Líbano decorrentes da crise em Damasco estão dificultando o trabalho do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no momento em que o número de pessoas tentando fugir da violência atinge número recorde. De acordo com dados divulgados ontem pelo Acnur, em Genebra, o número de refugiados sírios nos países vizinhos supera 200 mil.

Desse total, cerca de 74 mil pessoas buscaram refúgio na Turquia, 61 mil na Jordânia, 51 mil no Líbano e 15,9 mil no Iraque. Anteriormente, o Acnur havia previsto que 185 mil sírios se tornariam refugiados em razão da crise em seu país até o fim deste ano.

O governo turco comunicou ao Acnur que está construindo mais sete campos de refugiados.

No Líbano, os fugitivos do conflito sírio no Vale do Bekaa, perto da fronteira com a Síria, também têm ainda uma outra preocupação, além do conflito que devasta seu país: sua segurança no território libanês, já que sequestros de cidadãos sírios têm se tornado comuns na área.

"A deterioração da segurança no Líbano está prejudicando nosso trabalho de ajuda aos refugiados do conflito na Síria, mas as operações continuam", assegurou Adrian Edwards, porta-voz do Acnur.

"Os confrontos entre comunidades rivais em Trípoli (no norte libanês) continuam, o que afeta o ritmo dos registros em nosso novo centro de acolhimento na cidade", disse Edwards.

O êxodo tem provocado tensão entre sírios e habitantes locais de praticamente todos os países onde os refugiados têm buscado abrigo com suas famílias. O aumento no número de partidas é atribuído à escalada da violência na capital síria, Damasco, e em Alepo, a segunda maior cidade do país. As forças leais ao presidente Bashar Assad, porém, também teriam responsabilidade na migração, pois têm distribuído panfletos que encorajam a população a fugir - sugerindo que o ditador tentaria punir os países vizinhos com a presença dos refugiados.

"Isso é uma maneira de Assad pressionar a Turquia. Ele busca desestabilizar (o país vizinho)", disse um ativista sírio que atende refugiados na fronteira entre os países e identificou-se apenas como Ayman, por razões de segurança.

Uma aeronave do governo sírio atacou um prédio residencial ontem na cidade de Mayadin, no leste da Síria, próximo à fronteira do país com o Iraque, matando pelo menos 21 pessoas, afirmaram os rebeldes. No subúrbio de Damasco, ainda de acordo com a oposição, 15 pessoas foram mortas em bombardeios das forças oficiais e combates ocorridos em Daraya.

Em Alepo, o repórter Medyan Dairieh, da Al-Jazeera, foi baleado na perna quando cobria um combate no bairro de Saif al-Dawla. / NYT e AP

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