Refugiados do Irã costuram lábios em protesto na Grécia

Um grupo de refugiados iranianos costurou seus lábios com linhas, em meio a uma greve de fome para pressionar o governo da Grécia a lhes conceder status de refugiados políticos, disseram hoje na capital grega os organizadores do protesto. Os 25 manifestantes acamparam no centro de Atenas e iniciaram o protesto na última quinta-feira, 14. Sete deles costuraram os lábios, em desafio às autoridades gregas, que enfrentam uma pressão cada vez maior para aceitar pedidos de asilo.

AE-AP, Agência Estado

18 de outubro de 2010 | 20h03

Na semana passada, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) criticou de maneira ríspida o governo grego, por causa das péssimas condições de alojamento e higiene existentes nos centros de triagem de imigrantes clandestinos na província de Evros (Maritsa), perto da fronteira com a Turquia. O governo grego prometeu agilizar os processos de pedidos de asilo, mas afirma estar sobrecarregado pelo enorme fluxo da imigração clandestina que cruza sua fronteira com o país vizinho.

Mandana Daneshnia, de 29 anos, uma ex-repórter de um jornal iraniano, disse que fugiu do Irã após ter sido perseguida por autoridades por ter escrito sobre os direitos das mulheres. Ela foi uma das sete pessoas que costuraram os lábios. "Mulheres não têm direitos no Irã. Não podem vestir o que querem, fazer o que desejam e até mesmo assistir a eventos esportivos. O testemunho nosso em tribunais vale a metade do testemunho dado por um homem", disse Daneshnia, em um comunicado escrito em farsi (persa) e traduzido por seu marido. Funcionários gregos não comentaram o protesto.

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