Refugiados quirguizes no Usbequistão chegam a 83 mil, diz governo

Autoridades usbeques só receberão feridos, mulheres e crianças vindos do Quirguistão

EFE

15 Junho 2010 | 08h43

 

MOSCOU - Um total de 83 mil cidadãos quirguizes de etnia usbeque se refugiaram no Usbequistão após fugirem dos enfrentamentos étnicos no sul do Quirguistão, que causaram a morte de 170 pessoas, informou o Ministério de Situações de Emergência usbeque.

 

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"Nestes momentos, a entrada no país de refugiados do Quirguistão está restrita, pois já chegou um grande número", indicou Abdullah Aripov, vice-primeiro-ministro usbeque, que acrescentou que só é permitida a entrada ao Usbequistão de feridos, mulheres e crianças.

 

"Não temos mais lugar para acolhê-los", declarou o vice-primeiro-ministro usbeque, ao explicar a medida, citada pela agência digital regional Ca-news.org.

 

Os refugiados foram instalados em centenas de acampamentos nas regiões de Andijan, Namangansk e Fergana, onde recebem a assistência necessária, incluindo atendimento médico, informou desde Tashkent a agência russa RIA Novosti.

 

Só na região de Andijan, 7.400 refugiados solicitaram ajuda médica, dos quais 80 sofreram ferimentos a bala de diversas gravidades e 27 lesões por objetos contundentes, enquanto 80 mulheres grávidas com risco de aborto tiveram que ser hospitalizadas.

 

Segundo os últimos dados do Ministério da Saúde quirguiz, o número de mortos nos choques étnicos que começaram no último dia 11 chega a 170.

 

"Até esta manhã, o número de pessoas que solicitou assistência médica nas regiões de Osh e Jalal-Abad chega a 1.762, das quais 826 tiveram que ser hospitalizadas e 798 receberam atendimento ambulatorial", segundo o comunicado oficial.

 

Enquanto isso, o governo provisório anunciou que declarará na quarta-feira dia de luto oficial pelos mortos dos últimos dias no país. "É uma enorme perda. Honramos a memória de todas as vítimas", disse a presidente interina, Rosa Otunbayeva, citada pela agência 24.kg.

 

Noite Tranquila

 

As cidades quirguizes de Osh e Jalal-Abad, palcos nos últimos dias de violentos choques étnicos, passaram uma noite relativamente tranquila, informaram as autoridades locais. "A noite transcorreu com tranquilidade, sem incidentes, salvo algumas provocações", disse o governador da província de Jalal-Abad, Bektur Asanov, citado pelo portal informativo quirguiz AKI-press. O governador acrescentou que esta manhã algumas lojas da cidade voltaram a ser abertas.

 

A AKI-press assinalou que a mesma situação é observada na cidade de Osh, cerca de 50 quilômetros ao sul de Jalal-Abad, onde começaram os choques étnicos. No entanto, as autoridades não controlam a situação nas aldeias de Furkat e Nariman, nos arredores de Osh.

 

O Governo provisório do Quirguistão declarou nesta terça-feira que em breve começarão os trabalhos de reconstrução de casas e infraestruturas em Jalal-Abad e Osh."Reconstruiremos sem falta Osh e Jalal-Abad e acreditamos que as pessoas poderão voltar a suas casas e viver normalmente", disse em entrevista coletiva o "número dois" do Governo quirguiz, Almazbek Atambayev, segundo informou desde Bishkek a agência russa Interfax.

 

Atambayev ressaltou que o Executivo adotará todas as medidas necessárias para ajudar os cidadãos que perderam seus lares por conta dos enfrentamentos em Osh e Jalal-Abad.

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